Carla Bruni filma em Paris


Carla Bruni y Woody Allen, rodando en la noche parisina.
BRUNI E ALLEN NA FAMOSA RUA DO QUARTIER LATIN.

S
ob os olhos atentos de Nicolas Sarkozy, a cantora e agora também atriz Carla Bruni, mulher do presidente francês, concluiu na noite desta quarta-feira (madrugada de quinta em Paris) sua primeira participação nas filmagens da nova obra do cineasta Woody Allen, “Meia-Noite em Paris”.
 

Em pleno Quartier Latin, na animada “Rue Mouffetard” com seus universitários de todas partes do mundo circulando nos cafés e mercadinhos, Bruni surpreendeu turistas e curiosos quando apareceu ao lado do ator Owen Wilson para rodar as primeiras falas do seu papel – embora coadjuvante – no filme do diretor de Nova York. 

A primeira-dama da França, que já havia causado frisson na semana passada ao seguir as ordens diretivas de Allen no famoso restaurante Aux Lyonnais, do festejado chef Alain Ducasse, trabalhou na noite desta quarta-feira até varar a madrugada da quinta. 

O filme, como não poderia deixar de ser em se tratando de Woody Allen, é uma comédia romântica que acontece na cidade luz, num claro surto de nostalgia no roteiro que remete aos clássicos rodados em Paris e que hoje são objetos de adoração dos cinéfilos modelo cult.

 O marido de Carla Bruni, o todo poderoso líder da França, não saiu de perto um só instante durante as filmagens, que não são novidades para a modelo e cantora, que já atuou num filme do roqueiro francês Johnny Hallyday, de título “Paparazzi”, em 1998. 

Seu papel na fita de Allen é o de uma diretora de museu. Ela fará companhia a estrelas renomadas, como Marion Cotillard, que já ganhou o Oscar, Adrien Brody e Rachel McAdams, além do ator Owen Wilson, que contracenou com ela nas tomadas de agora. 

Ainda esta semana, Carla Bruni voltará a ficar diante das câmeras de Woody Allen em mais duas tomadas. Depois viajará com a família para um período de férias na residência Cap Negre, na Côte d'Azur.


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Sai de cena Maury Chaykin



M
orreu ontem, no dia que fez 61 anos, o ator naturalizado canadense Maury Chaykin, conhecido pela participação em filmes como A Máscara do Zorro, O Ratinho Encrequeiro e Dança com Lobos, este último que lhe deu fama mundial.
 

Chaykin faleceu num hospital de Toronto, em conseqüência de uma doença renal adquirida há alguns anos. Ele nasceu no Brooklyn, em 1949, de mãe canadense, e foi viver na cidade de Toronto em 1970, quando iniciou a carreira artística. 

Numa das suas atuações mais recentes, interpretou o cúmplice do personagem de Gael Garcia Bernal em Ensaio Sobre a Cegueira, a obra de José Saramago dirigida pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles. 

O diretor armênio, Atom Egoyan, também naturalizado canadense, tinha em Maury Chaykin um dos seus artistas preferidos, tendo-o convidado para atuar em diversos filmes que dirigiu, como O Doce Amanhã, Exótica e Adoration. 

O ator também participou de várias séries de televisão, entre elas Boston Legal, CSI e Além da Imaginação. Estava em atividade participando do seriado “Less Than a Kind”, exibido pelo canal HBO do Canadá e EUA. Chaykin era casado com a atriz Susannah Hoffmann, com quem tinha uma filha.


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Morre Edson Almeida



O
locutor pernambucano Edson Almeida morreu na manhã
de segunda-feira, aos 86 anos. Ele estava internado desde
1º maio no Hospital Português, no Recife, com problemas renais.

Na década de 1960, Almeida ficou conhecido como o locutor
do programa Repórter Esso no rádio e na televisão de Recife.
No plano nacional, Heron Domingues apresentou o telejornal
entre 1944 e 1962. No Rio foi Luiz Jatobá e em São Paulo o
locutor Kalil Filho.

Almeida deixou o radialismo, se formou em medicina veterinária
e em agronomia, tornando-se professor de parasitologia na
Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Estava 
aposentado desde 1985.

Ouçam abaixo a última gravação de Edson Almeida usando
a vinheta do saudoso Repórter Esso e podem arrepiar-se com
a última notícia que ele próprio fez questão de gravar.



Veja o video:

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Ruy Castro, na Folha:


Piada sinistra

O
s programas de humor da TV estão proibidos de fazer imitações, sátiras e gozações com os candidatos às próximas eleições. Essa piada sinistra (copyright Nelson Rodrigues) atende pelo nome fantasia de resolução 23.191/2009 do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Mas a palavra correta é censura.

O texto veta qualquer fala ou cena que "degrade ou ridicularize candidato, partido político ou coligação". Isso dobra a responsabilidade dos candidatos a presidente, governador, deputado ou senador. Por causa da resolução, caberá exclusivamente a eles a função de degradar a si próprios ou de se ridicularizarem uns aos outros.

O que eles já fazem o ano inteiro, certo. Mas, agora, com a mordaça aos humoristas, terão de ser comediantes em tempo integral. O apoio de Fernando Collor a Dilma Rousseff, por exemplo, cumpre as funções citadas acima e também o inverso delas - a aceitação desse apoio, idem.

E os apitos emitidos pelo deputado Indio da Costa, vice de Serra, sobre supostas ligações do PT, também dispensam a intervenção de meus amigos do "Casseta & Planeta" -os sobressaltos que Indio provoca em Serra já são hilariantes por si.

Na verdade, não ficaremos sem o humor político na TV. O horário gratuito obrigatório preencherá esta lacuna. Pena que, escrito por redatores de quinta e interpretado por canastrões, sua capacidade de fazer graça logo se esgotará. Em poucos dias, ao vê-lo surgir na tela, empatando a programação, o normal será que o telespectador desligue a TV e saia chutando baldes.

Mas nem tudo está perdido. As gozações, sátiras e imitações, assim como graves acusações, com ou sem fundamento, continuarão a circular -na internet. E, se conseguirem censurar a internet, sempre restarão as esquinas e os botecos, que é onde o povo exerce o seu irreprimível humor político.


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A religião dos quadrinhos



A
jovem senhora vestida de Mulher Maravilha puxando dois garotinhos fantasiados, respectivamente, de Batman e Superman. A cena não tinha nada de supremacia feminista no mundo dos super-heróis. Apenas uma mãe no contexto das suas crias.

Jovens, adultos, velhos, gente entre 1 e 80 anos num formigueiro humano colorido pelas milhares de roupas que parecem indicar um misto de feira hippie com acampamento de nerds. Foi mais uma edição do maior evento de HQ do planeta, em San Diego, EUA.

A 41ª edição da Comic-Con, que atrai apaixonados pela nona arte de todas as partes do mundo, encerrou no domingo com uma constatação: as personagens de quadrinhos estão mais na moda do que nunca, tanto no papel, quanto nas telas do cinema e da web.

O enorme centro de convenções da cidade da Califórnia foi pequeno para acomodar uma maré de fanáticos das figuras de super-heróis, monstros, vilões, bichinhos e tudo que engloba a chamada cultura pop. As fantasias tomaram conta do cenário.

Famílias inteiras foram ao local uniformizadas de “jedis” da saga Star Wars, crianças e velhos em igualdade visual nas roupas do Capitão América, grupos de jovens encarnando as equipes dos X-Men, Quarteto Fantástico e Os Vingadores.

Nunca se viu tantos Lanternas Verdes, dos mais variados tamanhos, circulando nos corredores, num sinal claro da ótima recepção que fatalmente terá o longa metragem do “guerreiro esmeralda”, previsto para junho de 2011, com direção de Martin Campbell.

Outras tropas incontáveis no encerramento do Comic-Con 2010 foram as de “Na’vis”, os humanóides azuis do planeta Pandora do filme Avatar. Rivalizavam em quantidade com garotos travestidos de “Predador” e meninas encarnando Trinity, de Matrix.

O absoluto sucesso em mais um ano foi um grande indicativo para o novo boom que vive o cinema com as adaptações dos quadrinhos para as telas. E há de se lembrar que apenas 25% dos estandes eram dedicados à indústria da sétima arte.

Um momento de êxtase para os fãs foi quando apareceram as grandes estrelas de Hollywood no recinto, principalmente Harrison Ford, que era esperado há anos desde que interpretou personagens como Indiana Jones, Han Solo (Star Wars) e Rick Deckard (Blade Runner).

Daniel Craig, o atual James Bond, também provocou frisson nos fantasiados, que enlouqueceram de vez com a entrada de Samuel L. Jackson, Robert Downey Jr. e Scarlett Johansson, envolvidos diretamente no esperado filme de Os Vingadores.

Jackson já havia lançado no sábado a logo do filme, assim como o site oficial fora anunciado já em operação. O trio fará os papéis de Nick Fury, Homem-de-Ferro e Viúva Negra no longa que terá direção de Joss Whedon, o criador de Buffy, a Caça Vampiros.

O grupo de super-heróis da Marvel terá ainda os atores Clark Gregg (como o agente Phil Coulson), Chris Hemsworth (o poderoso Thor), Chris Evans (Capitão América), Jeremy Renner (Gavião Negro) e Mark Ruffalo (o incrível Hulk).

Uma quantidade recorde de estrelas do cinema circulou no domingo na grande feira de San Diego. Adeptos também dos quadrinhos, deram as caras e autógrafos por lá Angelina Jolie, Bruce Willis, Nicolas Cage, Sylvester Stallone e Milla Jovovich.

Mas ninguém foi mais assediado e mimado pela galera do que o jovem ator Ryan Reynolds, que estará na pele de Hal Jordan, o piloto de testes que se transforma em Lanterna Verde pelo poder mágico de um anel que lhe foi dado por um alienígena.

E para satisfazer as expectativas do público mais velho e dos intelectuais do ramo, o domingo também ofereceu grandiosas conversas com o velho Stan Lee, um deus do universo HQ, e com Neal Adams, o demônio que mudou para sempre a alma de Batman.


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Janis na veia e nas telas



A atriz Amy Adams, a italianinha que protagonizou
a princesa Giselle numa viagem do mundo das fábulas
para o agitado centro de Manhattan, em Nova York,
no filme "Encantada", parece que fará mais uma
viagem cinematográfica e um tanto lisérgica.

Segundo a revista Rolling Stone, a garota vai fazer
o papel da eterna rainha do blue, Janis Joplin, no
filme "Janis Joplin - Get It While You Can ", que será
dirigido pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles.

Existe um outro filme sobre a cantora americana, chamado
"The Gospel According To Janis", mas o produtor do
filme de Meirelles, Peter Newman, está agindo arduamente
nos bastidores para convencer os produtores a desistirem.

Até o final do ano, Newman espera que a mídia divulgue
o início das filmagens da sua fita. Mas os fãs da diva pop,
é claro, irão torcer para que sejam os dois. Nunca é
demais uma overdose de Janis Joplin.


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A grande revolução tecnológica


No vídeo abaixo, a melhor explicação sobre a maior
invenção da raça humana:


Veja o video:

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Que japinha fodadístico!


O safado tem apenas quatro aninhos, mas parece uma
invenção da bio-cibernética japonesa a partir do sangue e
dos gametas de Keith Moon, Nick Mason e Charlie Wats.


Veja o video:

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É a grana, estúpido!



A
vitória do piloto espanhol Fernando Alonso no Grande Prêmio da Alemanha, após ultrapassar o brasileiro Felipe Massa que reduziu a velocidade por ordem da Ferrari, é o grande assunto do domingo e deverá rechear as conversas e resenhas esportivas da segunda-feira.
 

A corrida iniciou com Massa tomando a ponta, após largar atrás de Vettel e Alonso, que se engalfinharam na partida. O “segundo piloto” da Ferrari (atentem para as aspas, é importante para racionalizar na interpretação dos fatos a seguir) dominou a prova inteira, exceto quando parou para trocas de pneus, deixando o inglês Jenson Button na liderança. 

Quando faltavam 18 voltas para o final, um diretor da escuderia italiana falou pelo rádio com Felipe Massa, num inglês compassado e com cada palavra dita separadamente. - “Fernando (Alonso) é mais rápido do que você... Você tem certeza que entendeu essa mensagem?”, disse o cara. Massa reduziu e Alonso avançou para ganhar a prova. 

A indignação tomou conta dos adeptos da F1 e provocou um chororô na imprensa, principalmente na TV Globo, como se o fato fosse inédito em corridas e até em outros esportes. Como se a própria TV brasileira nunca tenha participado de esquemas para levantar a audiência do esporte no País, um senhor mercado para os anunciantes da F1.

Independente da ordem dada ao piloto brasileiro, é preciso lembrar que Alonso vinha mais rápido e que atrás dele, mais rápido ainda, vinha o Vettel, da Red Bull, concorrente da Ferrari e com dois pilotos com chances de vencer o campeonato, enquanto na equipe de Maranello sómente o espanhol tem chances.
 

Outro fato é que durante a semana inteira Fernando Aloson foi mais rápido e mais competitivo do que Felipe Massa, tanto que só perdeu a pole position para Vettel nos últimos segundos do treino de sábado, por milésimos de segundo. Foi anti-esportiva a decisão da Ferrari? Foi! Ficou feio para Massa e Alonso o resultado do GP? Ficou!

Mas, a grande pergunta é: foi a primeira vez na história da F1 e dos esportes que tal coisa aconteceu? E a grande resposta: Não! Vamos deixar de hipocrisia só porque o esquema ferrarista foi desvantajoso para um brasileiro, porque esse tipo de procedimento, de arranjar resultados em competições, acontece em todo ambiente, esportivo ou não.
 

Quantas vezes no Campeonato Brasileiro de Futebol nós vimos juízes arrumarem faltas e pênaltis para favorecer algum grande time ou prejudicar alguns outros para ajudar uma equipe de grande torcida, somente para colaborar com a audiência da competição?

E a antiga CBD, que comprou juízes e fiscais da FIFA para ganhar a Copa do Mundo de 1962, prejudicando as seleções da Tchecoslováquia e Espanha...
  O que ocorreu neste domingo no autódromo de Hockenheim não teve nada de ineditismo e nem terá sido a última vez a ocorrer. 

É preciso tirar os exageros das indignações, bem representadas nos comentários de alguns especialistas em F1, como Luiz Alberto, da Globo, e Fabio Seixas, da Folha de S. Paulo, este último chegando ao cúmulo da histeria chamando de “imunda” a vitória de Alonso. Terá sido imunda a vitória de Gerhard Berger no GP do Japão de 1991, quando Ayrton Senna o deixou passar na última reta?

Nos esportes, como na atividade política ou empresarial, os interesses financeiros superam os anseios lúdicos. Por isso que há tantas licitações fraudulentas, tantos laranjas nos governos e nos partidos, tantos resultados alterados e manobrados nas quadras, nos campos e nas pistas. Mas é incrível como só há indignação quando a coisa acontece nos esportes... Ninguém reclama tanto das safadezas cotidianas no Brasil.

A mídia brasileira precisa entender de uma vez por todas uma coisa: Felipe Massa não tem nem cacoete de Senna ou Piquet. Ele é apenas o segundo piloto da Ferrari, que tem em Fernando Alonso sua grande estrela, um craque que já ganhou duas vezes o título mundial, e que ainda mantém chances de brigar pelo tri contra os favoritos da Red Bull e da McClaren.

Se tiver que abrir para ajudar Alonso, Massa vai ter que fazer tudo de novo, pois essa é uma das funções de um piloto coadjuvante. Portanto, ao invés de choramingar por Massa e vomitar ódio contra Alonso, por que não gastam suas energias protestando contra resultados arranjados que todos os dias deixam para trás o fictício futuro do Brasil?


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O som que embalou um tiro


Um dos maiores clássicos do soul dos anos 60, a música “Green Onions”, da banda Booker T, uma das mais respeitadas nos anos românticos do desbunde e que era imitada adoidado pelos jovens artistas que se aventuravam nos caminhos do rock e da pop music em todos os EUA. 

A banda Booker T, que ainda está na estrada, foi fundada pelos amigos Booker T. Jones (seu líder e tecladista-arranjador), Steve Cropper (guitarra), Lewie Steinberg (baixo) e Al Jackson Jr (batera). Em 1965, Steinberg deixou o grupo e foi subsituído por Donald Duck Dunn.

No começo dos anos 70, participaram também o tecladista Carson Whitsett e o guitarrista Bobby Manuel.
 A partir de 1975, com a morte de Al Jackson, se incorporaram à banda em shows eventuais nomes como Willie Hall, Steve Potts, Anton Fig e Steve Jordan.

No ano de 1992, o trio Booker, Dunn e Cropper convidou o baterista Jim Keltner, famoso por tocar com John Lennon, Eric Clapton, George Harrison e a banda The Carpenters, para participar de um tributo de 4 horas em honra de Bob Dylan, no Madison Squarte Garden, de Nova York.
 

A música “Green Onions”, gravada em 1962 e que segundo uma lenda urbana em Dallas foi ouvida pelo assassino Lee Oswald antes de atirar no presidente John Kennedy, um ano depois, foi uma das mais imitadas por artistas que viveram a onda do rock e seus derivados naqueles anos. O ritmo é na verdade um blue acelerado com levada de funky. Curtam abaixo:


Veja o video:

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Copa Natal 2012



Não dá para fazer prognósticos certeiros no momento, mas eu sei que nunca foram tão mais prováveis do que possíveis os riscos de Natal ficar fora da Copa do Mundo de 2014. Se isto vier a ocorrer, tenho a consciência de que eu fiz a minha parte.

Bom, mas o comentário de hoje não é bem para destacar minha torcida contra a realização do evento da FIFA na cidade onde eu nasci. Mas sim para estabelecer alguns parâmetros que diferenciam minhas opiniões de outras que são também contra a Copa.

Por exemplo, não sou do time que quer a utilização do Machadão, todo recauchutado, nos jogos de 2014. Não. Primeiro, porque não quero nenhum jogo da Copa por aqui, continuo achando que logo a CBF comunicará a desclassificação de Natal.

Segundo, porque não defendo a manutenção do velho estádio construído sob um sonho do prefeito Agnelo Alves e os recursos dos generais da ditadura. Minha opinião é que no local do Machadão deva erguer-se um estádio menor, nos moldes do Frasqueirão.

Estou centrado na preocupação de evitar que a cidade tenha uma segunda era de “elefante branco” na nobre área de Lagoa Nova. O outrora Castelão é deveras desproporcional ao tamanho minúsculo do futebol de Natal e do Rio Grande do Norte.

Todos sabem – muitos evitam reconhecer – que em mais de 38 anos o estádio Castelão/Machadão jamais chegou a ser concluído, atravessou as décadas como uma esponja a chupar o dinheiro público com seus prejuízos cada vez maiores.

Como praça de futebol, virou um cemitério da decadência dos nossos clubes e times; como sede de uma secretaria obsoleta, transformou-se num cabide de concreto para os empregos fabricados na politicagem de prefeitos e partidos que se alternam em Natal.

Eu já havia manifestado uma opinião durante a gestão do prefeito Carlos Eduardo e volto a tocar no assunto na regência do governo Micarla de Sousa: o Machadão deve dar lugar a um estádio menor para comportar racionalmente o futebol potiguar.

Deveria ser derrubado, independente da Copa 14 (que, repito, acho que não virá para Natal) e lançado numa concorrência pública para sua privatização, assim com toda a sua área de estacionamento e a vizinhança do ginásio Humberto Nesi e do Carnatal.

O vencedor da contenda licitatória ganhará uma boa área para explorar da forma que achar melhor e mais lucrativa, mas com o compromisso de entregar a Natal uma nova arena esportiva, europeizada, com capacidade para 20 ou 25 mil torcedores.

O construtor a gerenciaria por duas décadas, em parceria com a Prefeitura e a Federação de Futebol, explorando em suas instalações lojas, cinema e pontos de serviço, além de garantir a manutenção. Os clubes e a FNF teriam suas taxas de faturamento.

Assim, ao invés do corre-corre e das pendengas em torno da duvidosa Copa de 2014, Natal começaria a planejar sua participação no primeiro campeonato de futebol com dois estádios exatamente do verdadeiro tamanho da nossa bola.

E aí, já em 2012, com uma dezena de candidatos a prefeito pedindo o voto do povo nas ruas, a cidade veria as Olimpíadas de Londres no meio do ano e um campeonato potiguar com ABC, Alecrim e América tendo duas boas opções de receber visitantes.

Na inauguração do novo estádio, não interessa o nome que vá se colocar, reuniríamos os principais times do RN num torneio que poderia chamar-se Copa Natal, com duração de duas semanas, em jogos festivos também no gramado do utilitário Frasqueirão.

Com as torcidas em festa, a cidade emulada em torno da bola e da nova casa, quem sabe retomaríamos aí o já falecido glamour que tanto envolveu os times de Natal em décadas pregressas? Talvez houvesse uma melhora no minguado público dos jogos de agora.

A tal Arena das Dunas é um exagero para a realidade do nosso futebol, assim como o famigerado "legado" da Copa 14 é um devaneio de alguns e interesses escusos de outros. Eu não defendo o evento da FIFA em Natal, mas também não quero mais o Machadão.



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Muricy na Canarinho



A primeira providência do novo técnico do Brasil vai ser
denunciar a presença das Farc na seleção da Argentina.



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Na Folha de S. Paulo:


Tesoureiro de Dilma omite
empresa da Justiça Eleitoral

Por Rubens Valente

O
tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff à Presidência, José de Filippi Jr. (PT-SP), 53, omitiu da declaração de bens que entregou à Justiça Eleitoral, a propriedade de uma empresa de engenharia responsável por dois empreendimentos imobiliários em São Paulo.

Alertado por perguntas enviadas pela Folha, Filippi reconheceu a omissão e atribuiu a "falha" ao seu contador. Ele enviou anteontem uma correção à Justiça.

O tesoureiro admitiu que a mesma omissão ocorreu nas suas declarações de Imposto de Renda de 2009 e de 2008, mas prometeu corrigi-las.

Filippi foi prefeito de Diadema (Grande SP) até final de 2006 e agora é candidato a deputado federal pelo PT.

Ao deixar a prefeitura, Filippi abriu a AFC 3 Engenharia, com capital de R$ 10 mil. Ele disse à reportagem que a AFC se tornou a sua principal fonte de renda, com retiradas mensais que oscilaram de R$ 10 mil a R$ 15 mil.

A AFC apresentou, em 2009, um faturamento de R$ 649 mil, fruto de serviços prestados a nove empresas da região do ABCD, dentre as quais, a Papaiz, fabricante de fechaduras.

No mesmo ano, a AFC começou a construir, em sociedade com empreiteiros, prédios de apartamentos na Chácara Santa Maria (zona sul). O mais adiantado, que deve ser entregue até o final do ano, é um de cinco andares e 20 apartamentos.

O preço de cada unidade oscilará de R$ 120 mil a R$ 130 mil.
Em frente ao prédio, a AFC comprou um terreno de 4.000 metros quadrados, por declarados R$ 200 mil, onde deverá ser erguido outro prédio, com 80 apartamentos.

Os sócios da AFC nos dois empreendimentos são petistas e empreiteiras. Em ambos, Filippi atua como representante da AFC.

No segundo projeto, a empresa é sócia do atual secretário de Obras de Diadema, Luiz Carlos Theophilo; do ex-secretário de Saúde do município Osvaldo Misso (ambos do PT); e de duas empresas da construção civil, a PRB Engenharia e a JCH.

Nenhuma dessas atividades consta da declaração de bens entregue por Filippi ao TRE paulista. Ele declarou um patrimônio de R$ 1,23 milhão. Seus maiores bens seriam duas salas comerciais, avaliadas por corretores em R$ 400 mil.

LEGISLAÇÃO
O Ministério Público defendeu, em ações abertas em São Paulo nas últimas eleições, a tese de que uma omissão como esta configura crime eleitoral, previsto no artigo 350 do Código Eleitoral.

Contudo, os juízes eleitorais têm sido tolerantes. Entendem que a omissão não tem impacto na disputa eleitoral e, por isso, relevam o problema.

Em 2009, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) recorreu a um precedente do STF (Supremo Tribunal Federal) e decidiu, em acórdão do ministro Felix Fischer, que tais omissões são "fatos atípicos" sem lesão a "fé pública".

No caso da omissão de bens no Imposto de Renda, Filippi poderá apresentar uma declaração retificadora à Receita Federal.


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A leveza de um ser


Quando a gente pensa que a indústria musical
já não oferece nada além das baboseiras comerciais
e dos falsos talentos sustentados pela ignorância
geral que habita o universo televisivo e radiofônico,
eis que surge figuras com a jovem americana
Priscilla Ahn, a menina da Pennsylvania que vem
cavando espaço com a suavidade da sua voz e
a harmonia das baladas.



Veja o video:

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Butch Cassidy e Sundance Kid



A
ssistí de novo, talvez pela trigésima vez, o clássico faroeste do diretor George Roy Hill, de 1969, com a espetacular presença da dupla Robert Redford e Paul Newman, ladeada pela beleza morena da atriz Katharine Ross. Um puta filme, atemporal.

Desses que deve provocar desejos em cineastas experimentais imaginando criar uma sequência possível, que mantenha o nível de atenção e prazer dos cinéfilos, como faz a velha fita com a canção “Raindrops Keep Falling on My Head”, de Burt Bacharach.

Eu sempre pensei numa outra linha de tempo, posterior ao congelamento da imagem final, com Butch e Sundance saindo do armazém de San Vicente, no interior boliviano, de armas em punho para, quem sabe, morrer no cerco dos homens do exército local.

Ora, se a própria literatura em torno da história real dos dois bandoleiros americanos aponta para um fim diferente de suas vidas em relação ao filme, quem poderá garantir-me, além do diretor e produtores, que aquele desfecho foi a morte dos dois?

A imagem parada de Cassidy e Kid, abrindo lentamente até subir os caracteres da ficha técnica, possibilita a qualquer um a alternativa para elaborar-se o roteiro de uma sequência, uma segunda película com as aventuras da dupla de bandidos-heróis.

A depender deste fã do velho bang bang, a onda de “crossover” nos roteiros dos quadrinhos que já invadiu Hollywood é deveras suficiente para estabelecer um pré-roteiro para, pelo menos, alimentar minha imaginação e o prazer pela obra.

Vamos, então, “crossovizar” a epopéia de Butch Cassidy and the Sundance Kid, no segundo filme que merece promover o primeiro à condição de grife do western. E comecemos o roteiro algumas horas antes da imagem congelada que encerra a narrativa.

A amiga dos dois amigos, Etta Place (a linda Katharine Ross), cuja vida real é até os dias de hoje um mistério na biografia da dupla, está voltando para os EUA num vapor. Lembrem-se da sua cara de tristeza por decidir separar-se dos seus amores.

Só que ela era, na verdade, Amy Robbins, a jovem bancária do século XX que em 1979 encontrara-se com o escritor H. G. Wells, quando este se deslocara no tempo e no espaço perseguindo Jack, o Estripador, por sua vez fugitivo na Máquina do Tempo.

Naquele comecinho de século, após idas e vindas pelo túnel do tempo, a moça se estabelecera numa casa do Wyoming, por sugestão de Wells para escapar da perseguição de Jack. Ali, conheceu Butch e Sundance, e se apaixonou pelo segundo.

Antes de embarcar no vapor, Amy percebe que seu amigo cientista veio à sua procura. Angustiada com o futuro dos outros dois amigos, ela narra o ocorrido até ali e convence H. G. Wells a voltar com ela para San Vicente e tentar ajudar a dupla encrenqueira.

O inglês chegou meia hora antes do garoto da mercearia dedurar à polícia a presença de uma burra com a marca de uma fazenda assaltada. Camuflou a Máquina do Tempo à esquerda do armazém em que os americanos se abrigariam do tiroreio.

Coberta por tecidos e palhas, a fantástica invenção ficou cercada pelas barracas da feirinha, Wells travestiu-se de soldado e foi o primeiro a posicionar-se na cercania do armazém, praticamente invisível para não ser atingido pelas balas de Sundance.

Após o ferimento de Butch e o diálogo travado com o parceiro enquanto carregavam os revólveres, Wells que ouvia tudo manobrou facilmente sua máquina, agora na companhia de Amy/Etta, sumindo por alguns segundos e reaparecendo sem a moça.

Enquanto os soldados se movimentavam cercando a praça, o escritor adaptava a chave de controle da geringonça, coisa que já havia desenvolvido antes para evitar surpresas de Jack, o Estripador, provendo o veículo da capacidade de transportar à distância.

Tudo calculado, quando Sundance e Butch correm disparando as armas, entram no raio de ação da máquina – Wells já pilotando-a – e ficam paralizados por alguns centésimos de segundos, até desaparecerem totalmente da visão e dos rifles dos militares.

Concedendo o desejo de Butch Cassidy, o cientista programou a viagem temporal para a Austrália, alguns anos antes do tempo boliviano, indo parar todos eles em 1880, onde os esperavam a dedicada Etta Place, ou, isto é, Amy Robbins, futura esposa de Kid.

A partir daí, começa pra valer a nova aventura da dupla, que naquele mesmo ano, em novembro, vai até Melbourne e invade uma prisão para libertar um irlandês admirado por Wells, condenado à forca, chamado Ned Kelly. Todos passam a ser perseguidos.

A versão deste suposto segundo filme casa ainda mais com as narrativas reais sobre a dupla americana e o ladrão britânico. As cartas assinadas por Butch, posteriores ao cerco na Bolívia, eram oriundas da Austrália. E faz-se a luz sobre o paradeiro dos restos mortais de Kelly, tão controversos no país da Oceania.

Acho que o fim do segundo filme seria a música de Bacharach e os amigos no interior da máquina de Wells sobrevoando o telhado futurista da Sydney Opera House. Lá embaixo, crianças em bicicletas festejam o Dia Mundial do Cinema de Ficção.


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Projeto argenTRIna



N
ão se fala noutra coisa no ambiente boleiro platino,
a não ser no planejamento da seleção da Argentina
para as Olimpíadas de Londres e a Copa do Brasil.

Só falta a AFA definir o treinador, que pode continuar
sendo o ídolo nacional Diego Armando Maradona, que
ainda não tomou qualquer posição quanto ao assunto.

Nesta quinta-feira, quando boa parte da imprensa do
país tenta arrancar algum novo fato, Maradona viajou
para a Venezuela, a convite do ditador Hugo Chávez.

A viagem provocou o adiamento de uma reunião que
o ex-craque teria com o presidente da Associação de
Futebol da Argentina, Julio Grondona, para quem o
atual técnico deveria permanecer à frente da equipe.

De acordo com a mídia de Buenos Aires, há uma
forte tendência para que Maradona e todos os seus
colaboradores continuem o trabalho na seleção, agora
visando os jogos olímpicos de 2012 e a Copa de 2014.

O sentimento das ruas e da mídia é que a seleção
nacional tem chances de repetir o ouro das duas
Olimpíadas anteriores, 2004 e 2008, e arrumar os
erros da Copa da África. A palavra de ordem é
"argenTRIna", ganhar três vezes a Copa e os jogos
olímpicos.


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Inter de Milão quer Forlan


Portada de la Gazzetta dello Sport
O craque da seleção uruguaia, eleito o
melhor jogador da Copa do Mundo 2010
está na capa do tradicional diário esportivo
italiano, que estampa o interesse do time
da Inter pelo atacante do Atlético de Madrid.


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Para os loucos por F1



É
a versão Disneilândia para a galera apaixonada por Fórmula Um e principalmente pelos carros vermelhos da famosa Casa de Maranello. Vem aí o Ferrari World, um mega complexo turístico nas ricas terras de Abu Dhabi.

O empreendimento, que será inaugurado em 28 de outubro próximo, já ganhou jeito de fenômeno com uma venda espetacular de ingressos para a primeira semana de inauguração, onde o lazer mais procurado é uma montanha russa que trasmite a sensação de estar dentro de um bólido do cavalinho.

Está situado ao lado do circuito futurista de Yas Marina, que estreou em novembro do ano passado como a mais nova pista dos grandes prêmios de F1 e passa a ser o primeiro autódromo do mundo inserido num parque temático.

O Ferrari World está debaixo de um gigantesco telhado triangular em vermelho, sugerindo uma carcaça de um carro de corrida do futuro, avaliado em US$ 26 bilhões. Segundo Claus Frimand, gerente geral do complexo, a obra “é uma coisa fechada, mas com a sensação de ar livre”.

Ainda de acordo com Frimand, “o visitante esquece que está dentro de um prédio porque o telhado varia entre 35 e 50 metros acima da cabeça e não existem estruturas de apoio, exceto o funil no meio e uma fileira de colunas”.

São 86 mil metros quadrados de obra com o logotipo gigante da Ferrari no fabuloso telhado. Entre as 20 maiores atrações do parque, duas grandes montanhas russas e uma outra chamada F1, ou “Fórmula Vermelha”, configurada para atingir velocidade acima de 150 km/h.

Segundo o diretor do complexo, “a F1 tem uma característica distinta das outras duas montanhas, com dois trens lado a lado e que em função do peso dos passageiros, um irá cruzar a linha de chegada primeiro”. O jogo da bandeirada entre amigos.

Os visitantes do Ferrari World serão recebidos na entrada por carros conversíveis, do tipo Ferrari Califórnia Spyder, que passearão pela Bell’Itália, uma reprodução da paisagem italiana com aldeias em miniatura, a lagoa de Veneza, o Coliseu e a Torre de Pisa.


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Ainda Jorge Banda



Um grande músico merece muito além do luto dos amigos e das mensagens e réquiens lacrimosos, tudo com data de vencimento prestabelecida pelo indefectível e perecível Mister Time. Por isso retomo o assunto da morte do guitarrista Jorge Macedo.

E retomo com o único intento de resgatar sua produtiva passagem pelos acordes da vida, restabelecer seu papel no relacionamento profissional e amoroso com a música, redesenhar a imagem amadora e “miltonsiqueirina” que muitos têm do maguinho.

Sim, porque Jorge Banda não era um talento autodidata como pensam alguns; toda aquela monstruosidade nos solos improvisados era fruto de uma técnica apuradíssima que ele jamais fez questão de exibir como badulaque acadêmico-musical.

Já disse aqui que ele unia a enorme capacidade de um ouvido sempre linkado na tonalidade das coisas com um notável conhecimento teórico, ao ponto de cifrar canções inteiras, na velocidade de um trago de cana, em guardanapos de botecos.

Estou imbuído, juntamente com meu mano Graco e com amigos como Raul Cruz e Moisés de Lima, de levantar algum material do trabalho de Jorginho em terras das Gerais e na sua passagem por Campinas e cidades do Centro-Oeste.

Desde os anos 90, quando meus encontros com Jorge Macedo foram escasseando, fruto das esquinas da vida que unem e distanciam até familiares, eu sei que discos foram gravados e arranjados por ele, em participações com bandas de rock, jazz e MPB.

Quando viveu alguns anos em Belo Horizonte, o guitarrista natalense não foi um mero observador da efervescência musical que tomou conta da capital mineira. Seus solos e ganidos elétricos eram sempre convocados a ilustrar apresentações em palcos.

A notícia da sua morte, estampada aqui na coluna e em alguns blogues culturais de Natal, já rebateu na galera belohorizontina, gente que cresceu debaixo dos arranjos de Jorginho e hoje brilha na cena musical de repercussão nacional e internacional.

Como Doca Rolim, o guitarrista que comanda a “cozinha sonora” (como diz Graco Medeiros, que o viu ainda pivete) da consagrada banda Skank. Ele jamais esquecerá o dia em que, apenas um garoto, tocou “Freeway Jam”, de Jeff Beck, com Jorge Banda.

Eram os anos 80 dos festivais de música de Beagá, que envolviam a juventude cabeça feita da cidade e muitos universitários, alguns da Católica, no bairro Dom Cabral, pertinho da casa de Graco Medeiros, que hospedava o genial maguinho de Natal.

Graco lembra de um moleque tocando guitarra no palco e que pediu para fazer um dueto com aquela fera cujos cabelos longos tinham mais largura que o corpo. No fim, Jorginho arrematou: “Esse boy ainda vai fazer um estrago da porra”. Era Doca Rolim.

Outro garoto aprendeu a admirar o guitarrista nordestino. Chamava-se Rui Montenegro e agora, homem feito e bem sucedido, registrou no Orkut e no Twitter seu pesar pela partida de Jorge Macedo. Rui é baterista da banda Creedence Cover, badaladíssima.

Muito triste ao saber da morte de Jorge Banda, se você tiver algumas fotos dele, me mande, que repassarei ao Boechat e ao Doca, sinto-me honrado por ter tocado junto com Jorge. Foi sem duvida uma ‘aula’ pra mim e todos”. Eis o post de Rui para Graco.

Portanto, não precisa vestir a história de Jorginho com a fantasia desleixada de um aprendiz de Rimbaud, um Zé Limeira das sete notas a entoar acordes impossíveis. Debaixo da fina estampa hippie havia um músico cheio de técnica e conhecimento.

E que desde os primeiros dedilhados num violão jamais desejou imitar ídolo algum, fato que, por mais que não denigre os que assim o fazem, foi em Jorge Banda uma qualidade particular do seu caráter e da sua timidez. Ele nunca quis ser ninguém a não ser ele mesmo.

E assim foi grande e merece ser lembrado sempre.


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Elio Gaspari, na Folha


História não é maconha,
para ser queimada

A
PROFESSORA SILVIA Hunold Lara, da Unicamp, pede que o Congresso socorra a história do Brasil. Há cerca de um mês, uma comissão de sábios entregou ao Senado um anteprojeto de reforma do Código de Processo Civil que prevê a incineração, depois de cinco anos, de todos os processos mandados ao arquivo.

Querem reeditar uma piromania de 1973, revogada dois anos depois pelo presidente Ernesto Geisel.

Se a história do Brasil for tratada com o mesmo critério que a Polícia Federal dispensa à maconha, irão para o fogo dezenas de milhões de processos que retratam a vida dos brasileiros, sobretudo daqueles que vivem no andar de baixo, a gente miúda do cotidiano de uma sociedade.

Graças à preservação dos processos cíveis dos negros do século 19 conseguiu-se reduzir o estrago do momento-Nero de Rui Barbosa, que determinou a queima dos registros de escravos guardados na Tesouraria da Fazenda.

Queimando-se os processos cíveis, virarão cinzas os documentos que contam partilhas de bens, disputas por terras, créditos e litígios familiares. É nessa papelada que estão as batalhas das mulheres pelos seus direitos, dos posseiros pelas suas roças, as queixas dos esbulhados.

Ela vale mais que a lista de convidados da ilha de Caras ou dos churrascos da Granja do Torto. A teoria do congestionamento dos arquivos é inepta. Eles podem ser microfilmados ou preservados digitalmente. Também podem ser remetidos à guarda de instituições universitárias.

O que está em questão não é falta de espaço, é excesso de descaso pela história do povo. Pode-se argumentar que os processos com valor histórico não iriam ao fogo, mas falta definir "valor histórico".

Num critério estritamente pecuniário, quanto valeria o contrato de trabalho assinado nos anos 50 por uma costureira negra de Montgomery, no Alabama? Certamente menos que um manuscrito de Roger Taney, o presidente da Corte Suprema dos Estados Unidos que deu o pontapé inicial para a guerra civil.

Engano. Uma simples fotografia autografada de Rosa Parks, a mulher que desencadeou o boicote às empresas de ônibus de Montgomery e lançou à fama um pastor de 29 anos chamado Martin Luther King, vale hoje US$ 2.500. O manuscrito encalhado de Taney sai por US$ 1.000.

O trabalho dos sábios incineradores está com o presidente do Senado, José Sarney, cuidadoso curador de sua própria memória e membro da Academia Brasileira de Letras. Como presidente da República, autorizou a queima dos arquivos da Justiça do Trabalho.

Com isso, mutilou a memória das reclamações de trabalhadores, de acordos, greves e negociações coletivas.

A piromania é fruto do desinteresse, não da fatalidade. O STF, os Tribunais de Justiça de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Rondônia, bem como o TRT de Rio Grande do Sul, acertaram-se com arquivos públicos e universidades para prevenir o incêndio.

Há mais de uma década, a desembargadora Magda Biavaschi batalha na defesa dos arquivos trabalhistas, mas pouco conseguiu. Lula ainda tem mandato suficiente para agir em relação à fogueira trabalhista e para alertar sua bancada na defesa dos arquivos cíveis.

Milhares de processos estimulados pelas lideranças sindicais dos anos 70, quando ele morava no andar de baixo, já viraram cinzas.


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