- Dirigente petista diz que maioria dos militantes potiguares irá votar no candidato do PDT - Tony Blair atacado com ovos durante autógrafo da autobiografia em Dublin - Milhares fazem manifestação em Paris contra expulsão de ciganos pelo governo - Estúdios Marvel e Disney terão uma mesma empresa de licenciamento no mercado brasileiro - Grupo de mídia Clarin vai resistindo aos golpes do governo Kirchner contra a imprensa na Argentina - Blogueira cubana Yoani Sánchez recebe prêmio "Herói da Liberdade de Imprensa" do Instituto Internacional de Imprensa - Jogadores da seleção de Portugal envergonhados depois do empate de 4 x 4 com o Chipre - Torcedores do Atlético Mineiro atendem Luxemburgo e esgotam ingressos para o jogo contra o São Paulo - O atentado de 11 de setembro nos EUA é tema central do filme musical "Clear Blue Tuesday" -  

Chuva ou força estranha?


buraco guatemala
Duvideodó que a gigantesca e circular cratera no centro da
cidade da Guatemala seja uma consequência apenas das
chuvas tortuosas que cairam sobre o país centro-americano.

Segundo o portal G1, as autoridades guatemaltecas chegaram
a responsabilizar as chuvas, mas depois, sem entender a
perfeição e dimensão do buraco - que engoliu um prédio -
declararam o total desconhecimento da causa do fenômeno.


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Análise animada do time de Dunga


O pessoal do blog Analfa conseguiu entrevistar
uma senhora húngara que gosta muito de futebol
e tem admiração pelos craques brasileiros do
passado. Vejam só a opinião da compatriota do
Puskas sobre a seleção de Dunga:


Veja o video:

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O beijo na Taça do Mundo



L
uis Fabiano, o artilheiro do Sevilha, disse ontem em Johanesburgo que não tem a menor graça voltar para casa após um campeonato mundial trazendo “aquela chuteira de artilheiro da Copa e sem o título de campeão”. Não tem graça, ele disse.

E não tem mesmo, mas deveria ter alguma. É que na cultura da quantidade se sobrepondo à qualidade, ganhar sobre todo e qualquer aspecto está acima de tudo. Apesar da Copa ser um espetáculo, nem sempre a arte do gol supera o metal da taça.

Aliás, os termos copa e taça são sinônimos, sendo que o primeiro ainda tem a força de representar o ponto mais alto de alguma coisa, que bem pode ser o próprio mundo. E foi nessa inspiração que o evento maior do futebol foi criado pelos homens da FIFA.

Antes da criação da Taça Jules Rimet, disputada pela primeira vez no Uruguai em 1930 e vencida três vezes – e em definitivo – pela geração de Pelé, depois roubada e derretida no Brasil, uma taça já havia sido alvo de ladrões, ainda no século XIX.

Décadas antes da idéia de um torneio mundial de seleções, o mais importante campeonato do planeta era a FA Cup, que deu origem aos grandes eventos de hoje pela Europa, como Champions League, Copa da UEFA e Eurocopa. Era o ano de 1895.

A taça da FA Cup daquele ano foi carregada de uma vitrine em Birmingham, na Inglaterra, e o time que a havia conquistado no gramado, o Aston Villa, jamais a viu de novo. A própria Jules Rimet foi roubada uma primeira vez, também na Inglaterra.

Antes de começar a Copa de 1966, aquela de triste memória em que a seleção brasileira caiu na primeira fase diante do talento dos húngaros e da genialidade afro-portuguesa de Eusébio, a taça foi achada no mato londrino por um cãozinho chamado Pickles.

O primeiro jogador a levantar – literalmente – a Jules Rimet foi o capitão brasileiro em 1958, o zagueiro do Vasco Bellini. E o ato de erguer o prêmio nada tinha com comemoração, apenas uma gentileza para fotógrafos atrás da multidão de jornalistas.

Quem primeiro a recebeu das mãos dos organizadores da primeira Copa foi o uruguaio, também zagueiro, José Nasazzi, capitão no terceiro título mundial da Celeste (o Uruguai já havia vencido duas Olimpíadas, daí ter sido escolhido sede do mundial de 1930).

Na segundo Copa, em 1934, o ato solene de receber a taça foi de um goleiro, o italiano Giampiero Combi, consagrado na boca do povo como “Homem Elástico”. Assim como o atual goleiro da Azzurra, Bufon, Combi vestia a camisa da Juventus de Turim.

Quando a Segunda Guerra matou a diplomacia do mundo e abortou as Copas de 1942 e 1946, a taça viajou para ser disputada no Brasil, em 1950. O legado daquele evento dói até hoje na memória e na história do futebol nacional. E estigmatizou um goleiro.

Barbosa, o maior goleiro que o Brasil já produziu (além de Taffarel) ficou marcado com a culpa de um gol do uruguaio Gigghia, que concluiu jogada do cérebro da Celeste, Schiaffino, autor do primeiro gol e arquiteto do segundo. Obdulio pegou a taça.

Na Copa seguinte, 1954, ninguém com o mínimo conhecimento sobre futebol arriscaria dizer que o capitão e gênio da Hungria, Puskas, não receberia a taça Jules Rimet. A não ser os alemães, que conheciam a geração comandada pelo grande Fritz Walter.

Por pura estratégia do técnico Sepp Herberger, a Alemanha entrou com um time misto contra o super time de Puskas, Czibor e Kocsis, tomando uma lavada de 8 x 3. Mas na final, os titulares alemães fizeram 3 x 2 e festejaram a taça nas mãos de Fritz Walter.

Quando Bellini levantou a taça em 58, seu reserva, Mauro, não imaginaria que repetiria o gesto em 1962, graças a um fenômeno chamado Garrincha, que até fez chover e trovoar no Chile. Em 1970, Carlos Alberto foi o primeiro a beijar a taça.

De lá para cá, todo mundo beija o símbolo maior da conquista, de reservas a jornalistas, de massagistas a executivos de federação, até ditadores e presidentes de repúblicas. Até chegar uma final, entretanto, a taça é protegida como um quadro do Louvre.

Na África do Sul, diversas seleções chegam ao torneio com reais chances de beijar a taça. Alemanha, Brasil e Itália são sempre favoritos; a Argentina e França sempre correm por fora; e Inglaterra, Holanda e Espanha acreditam que a hora do beijo chegou.

Os espanhóis andam com a libido mais agitada em relação ao toque labial na taça, eufóricos com o momento da Fúria que vem jogando um futebol cheio de arte. Pior é que a Taça FIFA já foi beijada por um único homem, e de nacionalidade espanhola.

O cantor David Bisbal, intérprete do hino oficial da Copa 10 em sua versão em espanhol, não perdeu tempo quando se viu – duas vezes – diante da taça. Beijou na cidade do México e em Houston, durante o passeio mundial do troféu.

Na católica Espanha, como no Brasil, mitificam-se muito essas coincidências.


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Furo do portal iG



O site iG acaba de publicar em sua capa
o que seria o esboço da logomarca oficial
da Copa 2014 no Brasil. A informação não
tem confirmação da CBF, mas o portal
garante que o desenho, ainda sem cores,
será este que lembra a taça FIFA.

Veja mais detalhes no link: www.ig.com.br


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Um grande amistoso


As fotos do jogo beneficente entre veteranos
craques do Real Madrid e do Milan, ontem, no
estádio Santiago Bernabéu.
Butragueño y Zidane
O espanhol Butragueño e o francês Zidane;

Papin
O francês Papin e o português Rui Costa:

Cafú y Rubio
O brasileiro Cafu e o espanhol Rúbio;

Maldini y Figo
O italiano Maldini e o português Figo;

Figo y Baresi
Figo e o italiano Baresi;

Weah y Zidane
Gênios: Zidane e o liberiano George Weah.


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Parece science fiction


Dani Lary é um dos mágicos mais populares da Europa,
especializado em ilusionismo e que tem como sua marca
alguns números de teletransporte. Vejam seu show no
programa da TV5 de Paris, "Le Grand Cabaret du Monde":



Veja o video:

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A menina serpente


Vejam do que é capaz a jovem sulafricana
Lunga Buthelezi, uma contorcionista que vem
surpreendendo o mundo com seu corpo de
borracha. Alguns exercícios da moça, ninguém
já fez igual.


Veja o video:

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Mágica cibernética


A incrível mágica do jovem Max Guito, um francês
que vem conquistando platéias pela Europa com
seus número de ilusionismo inspirados nas novas
tecnologias que dominam o mundo moderno.



Veja o video:

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Da Veja Rio


A fantástica fábrica de imagens

Um escritório na discreta Vila do Motta, na Rua do Catete, produz imagens marcantes de campanhas publicitárias que circulam mundo afora, sob encomenda de Coca-Cola, Ford, JPMorgan Chase, Volkswagen, Disney...

Por trás do Platinum Studio FMD (abreviatura de fotografia, manipulação e design) está um trio de cariocas: o fotógrafo Leonardo Vilela, 46 anos, o designer gráfico Flavio Albino, 38, e o ilustrador Luciano Honorato, 37. Eles colecionam belos feitos. Assinam, por exemplo, o descanso de tela do mais recente software lançado pelo Photoshop, no mercado desde abril.

Com o realismo fantástico que é tão caro à turma, a cena presente em milhões de computadores mostra uma caravela navegando em meio a um tufão e assombrada por um monstro marinho. Um detalhe quase despercebido é a minúscula bandeira do Vasco da Gama no topo da embarcação, um “contrabando” de última hora feito por Albino, torcedor fanático do time.

Outro motivo recente de orgulho é a conquista do prêmio Photo Annual Competition 2010 pela capa do livro Under the Dome, de Stephen King, lançado no ano passado nos Estados Unidos e com previsão de chegar ao Brasil no fim do ano. Uma honraria concedida pela renomada revista americana PDN — Photo District News.

O escritor americano, famoso por suas tramas de horror, se familiarizou com o trabalho do trio no site da empresa carioca (todo em inglês), que recebe em média 140 000 acessos mensais. Para espanto dos parceiros, boa parte das visitas provém da Rússia. No portfólio virtual, pode-se ver o conjunto de criações artísticas responsáveis pela fama internacional do escritório.

Está lá a vela que jorra água do pavio feita para uma peça publicitária do grupo suíço de tubos e conexões Amanco, que se tornou uma imagem muito pirateada. Outra obra em destaque, concebida para a montadora Nissan, mostra um canguru carregando um filhote de hipopótamo em sua bolsa abdominal.

Agraciada em 2004 com um prêmio no prestigioso Europe’s Premier Creative Awards (Epica), a imagem dos bichos foi incorporada ao acervo do Museu da Publicidade, vinculado ao Louvre, em Paris. “Chamamos nosso trabalho de 3D orgânico, pois os recursos técnicos ficam quase imperceptíveis”, afirma Honorato.

Fundada há dezesseis anos por Vilela e Albino, a Platinum teve um começo nada cor de rosa. De início, funcionava apenas como estúdio fotográfico e fazia trabalhos esporádicos. “Passamos cinco anos numa operação praticamente sem retorno”, lembra Vilela. O ano de 2002, quando eles decidiram investir em programas digitais e equipamentos de efeito tridimensional, foi um divisor.

Para operar o software, Honorato juntou-se ao grupo. Com o novo foco, voltado para a pós-produção em 3D, a empresa decolou. No ano seguinte, já atendia 80% do mercado carioca, de acordo com a Associação Brasileira dos Fotógrafos de Publicidade. Após alguns breves percalços de mercado, a Platinum alçou um voo maior, rumo ao mercado internacional.

A entrada na Europa foi via Portugal, onde um amigo da trinca trabalhava como diretor de arte de uma agência de propaganda. Desde então, faturou prêmios significativos nos festivais de Cannes, no Clio, em Nova York, e no Epica, realizado anualmente na França. Hoje, quase a metade de seus clientes são americanos e europeus.
 

No momento, Vilela, Albino e Honorato estão envolvidos na campanha de um novo parque temático da Disney, na Califórnia, e numa peça para a Volkswagen do Brasil. Quem vê as criações da Platinum nas páginas ou nas telas não tem noção de como é trabalhosa a produção. Da ideia inicial ao último retoque na imagem, o processo pode levar mais de um mês.

Curiosamente, a simplicidade do escritório no Catete não fornece pista do sucesso da empresa, que faturou 4 milhões de reais no ano passado e reinvestiu em equipamentos 170 000 reais dessa soma. Lá, o clima é informal entre os dezesseis funcionários, a maioria na faixa etária dos 20 anos, que se revezam à frente dos catorze terminais de computador dispostos numa bancada.

Um cartaz na parede informa a linha de chegada da última prova de kart disputada pelos sócios e sua equipe, num ritual que se repete todo mês. “Nossas especialidades são complementares”, destaca Albino. “Tivemos a sorte de oferecer esse tipo de serviço na hora certa.”


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Diogo Mainardi, na Veja


Corra, Diogo, corra!

Caetano Veloso agora é colunista de O Globo. Desde sua estreia, num domingo, quatro semanas atrás, estou tentando arrumar outra maneira para me sustentar. Se até Caetano Veloso se tornou um colunista, tenho de mudar de trabalho urgentemente.

Assim como os cachorros latem antes dos terremotos, eu interpreto os artigos de Caetano Veloso como sinais de alerta para um desastre iminente. Au! Au! O colunismo está ruindo. Au! Au! O colunismo está se esboroando. Au! Au! É melhor fugir para o meio da rua, antes que o teto desabe sobre mim. Corra, Diogo, corra!

Imediatamente depois de Caetano Veloso estrear como colunista de O Globo, a
Folha de
S.Paulo passou a contratar colunistas por metro.
No momento, o jornal tem cento-e-vinte-e-oito colunistas. Esse foi o número anunciado por seus próprios editores: cento-e-vinte-e-oito.

Nizan Guanaes é um dos novos contratados pela Folha de S.Paulo. No passado, o colunismo era um reduto dos mineiros. Agora ele é dominado pelos baianos. Na semana passada, Lula reclamou da "elite que escreve colunas neste país", só porque alguns articulistas denunciaram o apoio que ele deu à bomba nuclear iraniana.

Elite? Qual elite? No Brasil, qualquer um pode se tornar colunista. Temos mais colunistas do que metalúrgicos. Lula repudiou a mentalidade colonizada de nossos colunistas, mas o fato é que a mentalidade da maioria deles nunca saiu dos arredores do Pelourinho.

Resultado: os cento-e-vinte-e-oito colunistas da Folha de S.Paulo ovacionaram Lula por seu apoio à bomba nuclear iraniana.
Se o Renascimento teve Ticiano, o nosso tempo tem os analistas técnicos das bolsas de valores. O que é que isso tem a ver com Caetano Veloso?

Respondo imediatamente: a fim de me livrar do colunismo, decidi procurar outra fonte de renda, investindo no mercado financeiro. Os analistas técnicos desenham gráficos para tentar antecipar os movimentos das bolsas de valores. Ocasionalmente, esses gráficos assumem formas humanas.

Um deles tem o nome de um produto anticaspa: Head and Shoulders. No Head and Shoulders, um índice financeiro sobe até determinado patamar, formando o ombro direito; depois sobe outro tanto, delineando uma cabeça; depois ele oscila até o patamar inferior, no que seria o ombro esquerdo.

Na quarta-feira, analisando uma série de gráficos das bolsas de valores, vislumbrei aquilo que me pareceu ser o contorno do cotovelo direito de um retrato pintado por Ticiano, em 1525. Especificamente: o retrato de Federico II com seu cachorro. Au! Au! Apliquei na hora todas as minhas economias. Se o investimento der certo, nunca mais farei um artigo. Se der errado, terei de me transformar num colunista baiano. 


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Os monstros da guitarra



Listas com os melhores disso e daquilo são apenas listas,
não obedecem nunca a critérios definitivos. Ou são feitas
por alguma sumidade num dado assunto ou por um grupo
de notáveis, nas mais das vezes por uma redação ou meia
redação de um veículo de comunicação.

Os rankings não são feitos para serem estáticos, salvo em
casos aonde ícones inquestionáveis galgam a liderança
para todo o sempre, como no caso de Pelé, no futebol, os
Beatles, nas bandas de rock, ou ainda Shakespeare na
literatura. São os deuses das nossas crenças culturais.

Mas são importantes, sim, as listas, pelo menos para gerar
debates e controvérsias. Nalguns rankings, como os que eu
citei, há verdadeiros debates constantes, em rodas de papos
a partir das segundas posições.

No futebol, por exemplo, enquanto a FIFA diz oficialmente que
a vaga é do holandês Cruijff, para muitos ela pertence a
Di Stefano, Beckenbauer, Maradona, Garrincha, Eusébio,
Puskas, Platini, Bobby Charlton, Zidane ou George Best.

Na música pop, há os eleitores dos Rolling Stones, do Yes,
do The Who, do Oasis, do Pink Floyd, do Black Sabbath, do
Pet Shop Boys, do U2 ou até dos Monkeys e do Gun's Rose.

O gênio inglês das letras, William Shakespeare, tem muitos
vizinhos na segunda posição das listas, desde os soviéticos
Dostoiévski e Tolstoi, passando pelo alemão Goethe, pelos
franceses Victor Hugo e Voltaire, o irlandês James Joyce,
o italiano Dante Alighieri e o grego Homero.

E que tal uma lista sobre os 50 maiores guitarristas de todos
os tempos? Nessa é que as controvérsias geram ganidos
como os próprios instrumentos.

A indústria Gibson, que passou por todas as gerações de
roqueiros e baladeiros fabricando guitarras para monstros
sagrados da música, elencou os seus preferidos e os fãs
pelo mundo já estão discutindo e fazendo observações.

Proponho um papo com os leitores aqui do Blag sobre os
primeiros 10 do ranking Gibson, cujo site oficial pode ser
acessado no link
http://www2.gibson.com/Gibson.aspx.
Que tal elencar os 10 preferidos nos nossos próprios critérios?
Eu, por exemplo, não admito lista de guitarristas que não
seja iniciada com Eric Clapton, aquele que os próprios
colegas de ofício batizaram de "deus".

Eis os meus 10 maiores guitarristas de todos os tempos:
1. Eric Clapton; 2. Jimi Hendrix; 3. Robert Johnson;
4. Jeff Beck; 5. BB King; 6. Jimmy Page; 7. Chuck Berry;
8. Carlos Santana; 9. Keith Richards; 10. George Harrison.

PS: Na foto, Hendrix e Clapton em janeiro de 1967.



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Síndrome de pequeno príncipe



T
udo começou quando espalharam por Natal, há décadas, algumas sementes de baobá que germinaram as fortes raízes do boato e da mania de grandeza de uma cultura pigméia. O nome da cidade também ajudou; até hoje se pensa que o dono do mundo nasceu aqui.

Com o aval de algumas otoridades e a ressonância ignorante de muitos comunicadores, as coisas da aldeia são sempre tratadas como as mais legítimas e grandiosas manifestações que abalam o planeta. Sinatra adoraria ter cantado “Natal, Natal”.

Desde o dia em que Saint-Exupéry serelepou por nossas ruelas ribeirinhas, criou-se nos ânimos do “quociente coletivo” a mentalidade superlativa e a mentira criativa. O mundo gira em torno da taba e seus megalômanos giram em volta do ego gigantesco.

Com o advento da tecnologia da informática, globalizaram o delírio de uma cidade imprescindível para os destinos do mundo; crio-se a manufatura cibernética de um glamour de fantasia, como se cada rua desembocasse numa avenida de New York.

Quem sabe, por isso, já não ter sido uma antevisão do besteirol os nossos antepassados batizarem ruas do bairro do Alecrim como avenidas numeradas? Olhaí as dondocas seguindo a tradição e clonando a Oscar Freire nas quitandas modernas da Afonso Pena.

Quando os turistas nos descobriram, esses novos navegadores a nos brindar com espelhinhos imobiliários em troca das areias e águas de Pipa, os nativos também perceberam a perspectiva de uma promiscuidade lucrativa; esperteza cabocla.

Na arte de imitar e clonar, parodiaram o Frei Manuel Itaparica: “jaz a praia chamada de Pipa / a qual no nome sugere o amor que fica”. Todo mundo acaba sendo um Gonçalves em dias de cantar o auto exílio dos que voltam cheios de falsas glórias.

Escrevem em colunas de fumaça que nosso céu e nos palanques tem mais estrelas e nossos bosques mais amores e árvores derrubadas. Cantam loas de umbigo para si mesmos. Os tweets daqui gorjeiam muito mais célebres do que os de lá.

Aqui tocaram os imortais Rolling Stones, cuja mídia para divulgar mundialmente o espetáculo foi uma faixa de pano na Hermes da Fonseca. Entre o aeroporto e Pipa, é comum esbarrar-se em Clint Eastwood, Robert De Niro e Stephanie de Mônaco.

Jamais esquecerei o verão em que centenas de paparazzis internacionais levantaram acampamento nas areias da Praia de Jacumã, com suas super máquinas fotográficas apontando as lentes para os aposentos em que veraneava o pop star Mick Jagger.

Que lugar do mundo mais apropriado para figuras como o Papa, a rainha Silvia, o apresentador Luciano Huck, o presidente colombiano Evo Morales e a seleção do Togo esticarem as pernas em escalas de voos internacionais? Somos o centro do planeta.

Que estado brasileiro pode nos superar em glamour político quando nossos parlamentares ou executivos atravessam o Atlântico e se tornam “notícia internacional” nos blogues de amigos e assessores? Isso aqui, ô, ô, é um pouquinho uma porra!

Lembrei bastante do show dos Rolling Stones no Juvenal Lamartine, anos 80, o tumulto em busca de ingressos, quando vi a peça jornalística em cartaz na tela da TV. A jovem repórter tratando um jogo do ABC como o grande evento antes da Copa na África.

Não houve como conter as gargalhadas com o teor do texto da matéria, nacionalizando a pelada como mais um embate na histórica batalha ludopédica de brasileiros e argentinos. Da Paraíba para baixo, do Ceará para riba, ninguém sabia do hilário jogo.

Qual o interesse de uma imprensa que se espera séria em estimular uma brincadeira de mau gosto e legitimar os exageros bairristas de um time de futebol? O Boca Juniors jogando nos EUA e um veículo daqui insistindo na armadilha de iludir torcedor.

Qualquer menino de 12 anos não arriscaria uma figurinha da Copa em apostar na farsa. Perceberia logo o óbvio ululante: como que o maior time das Américas vem a Natal e a imprensa brasileira não publica uma linha sequer sobre o importante fato?

A cômica cobertura de alguns veículos de imprensa na pelada entre o ABC e alguns garotos e reservas do Boca entra para a literatura ficcionista que compõe a “síndrome de pequeno príncipe” da cidade. O que começou com o baobá é hoje apenas “oba oba”.


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Paul, o senhor das emoções



M
ais de 55 mil mexicanos viveram uma noite mágica ontem. E outros milhares que acessaram o site www.coca-cola.tv pôde experimentar a mesma sensação dos compatriotas que foram ao Foro Sol para ver o show do legendário Paul McCartney.
 

Foi um dos mais belos espetáculos dos últimos tempos no universo pop, com o ex-beatle encantando a platéia que se movia entre aplausos, gritos e lágrimas, os três componentes de uma emoção histórica.

Eu acabei de ver – arrepiado na pele e naquilo que vocês chamam de alma - quase tudo, via e-mail que a amiga Raquel Lins, uma carioca presente no local, me enviou dividido em dois links para comportar o vídeo.
 

Como um Zorro das baladas cavalgando cavalos de luz, Paul subiu o palco num impecável e elegante terno negro. Abriu a noite mágica com “Venus and Mars rock” e carregou a galera enlouquecida nos raios da Lua cheia. 

Os mais de 55 mil loucos gritavam em uníssono “Paul, Paul, Paul”, num fanatismo adulto que remetia o cenário mexicano para cinco décadas atrás, quando quatro garotos incendiavam os pubs ingleses com seus primeiros ganidos de guitarra. 

O velho e sempre maravilhoso McCartney derramou no palco seu repertório musical, envolvendo a multidão com hits como “All my loving”, “Got to get you into my life”, Let me roll it”, “Blackbird”, “Two of us?” e “The Long and Winding Road”, além do arrasa quarteirão “My Love”, a eterna poesia para a primeira mulher Linda. 

Fez referências, sim – algumas vezes – aos amigos ausentes Lennon e Harrison, numa delas arrancando lágrimas do fãs com as canções “Here Today” e “Something”. E pensar que no mesmo instante havia tanta gente ligada nas besteiras da TV. 

E ninguém pense naquele velho papo de que os sucessos imortais dos Beatles não pintam em seus shows, por causa dos direitos comprados por Michael Jackson, e coisa e tal.

Pois Paul botou todo mundo para dançar e rebolar ao som de hits como “Eleonor Rigby”, “Obla-di, obla-da”, “Band on the run”, “Back in the USSR”, “A day in the life” e “Live and let die”.
 

E teve aquele momento especial, que a mídia chama de improviso, mas que faz parte do “insight” premeditado de alguns artistas. O senhor noturno sapecou na guitarra os acordes de “Get back” e quando a banda estraçalhou atrás, ele pegou uma moça na platéia para dançar. Foi um abalo nunca visto no México. 

As imagens da transmissão internética da Coca-Cola, com as interferências peculiares da nova mídia, foi suficiente para emocionar quem estava a milhares de distância do espetáculo ou mesmo do outro lado do mundo. O grand finale foi com “Paperback writer”, “Let it be” e “Hey Jude”. 

E quando as vozes todas se juntaram a chamar seu nome, ele reapareceu do fundo do palco para se despedir, agora em definitivo, mandando a revolucionária "Sgt Peppers Lonely Hearts Clube Band".

Paul McCartney ainda tem um segundo show na cidade do México, na noite desta sexta-feira. Se eu fosse você que me lê agora, cancelava tudo, desligava a televisão e ficaria navegando na Internet até chegar a hora de acessar o site www.coca-cola.tv.

Há um procedimento no site para inscrição de quem não está no México. Quanto mais cedo fizer isso, melhor para ficar liberado para quem está no Brasil. Vale a pena esperar. Não é todo dia, nem toda noite, que Sir Paul McCartney está disponível para a nossa louvação.



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Reforços em Madrid


Mourinho podría unir a Gerrard y Lampard en Madrid
O técnico José Mourinho ainda não assumiu as
rédeas do Real Madrid, mas já tem em mente
alguns nomes para reforçar o time e tentar derrubar
a hegemonia do Barcelona na Liga das Estrelas.

Segundo a mídia espanhola, o português pensa
na contratação dos dois maiores craques do
futebol inglês na atualidade, os meias Gerrard e
Lampard, ídolos respectivos do Liverpool e do
Chelsea.


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A nova gata de Transformers


Rosie Huntington-Whiteley
Suderj informa:
Sai Megan Fox (sob meus protestos) e entra
Rosie Huntington-Whiteley, o desmantelo de mulher
aí da foto, uma modelo inglesa de 23 anos que caiu
nas graças do diretor Michael Bay, para estrelar na
terceira fita de “Transformers”.
 

A notícia está nos meios especializados dos EUA,
nesta quinta-feira. A louraça ganhou a preferência de
Bay após um teste na semana passada. Mas ainda
não há uma confirmação oficial da sua participação
no novo filme da série.
 

Uma outra britânica, Gemma Arterton, que está nas
telas do Brasil com o filme de aventura “Princesa da
Pérsia”, era uma das candidatas para o lugar da
deusa pagã Megan Fox, mas os estúdios Paramount
colocaram outras opções para o diretor.
 

A atriz americana Sarah Wright, coadjuvante na
comédia “Uma Coelhinha no Campus”, e a modelo
Brooklyn Decker, famosa pelas fotos na revista
Sports Illustrated, também estavam cotadas para
o papel.
 

Mas este escriba e as torcidas do Real Madrid,
Barcelona, Manchester United, Liverpool, Milan, Roma,
Flamengo, Corinthians, São Paulo e Boca Juniors
exigem de Michael Bay uma boa e sustentada desculpa
para a saída da nossa Megan Fox.


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É a piada do dia


Por Joca Kifúria

N
a África do Sul não se fala noutra coisa.

Nem bem o avião da seleção de Dunga pousou
no Johannesburg International Airport, os jogadores
brasileiros correram para os estandes de turismo
em busca de informações.

Julio Batista, Robinho e Josué foram os primeiros
a abordar umas garotas contratadas pela FIFA e
pelo governo sul-africano, enquanto Kleberson e
Felipe Melo conversaram com dois guardas da
Policia de Johanesburgo.

Demonstrando uma ansiedade maior do que para
o jogo de estréia na Copa, contra a Coréia do Norte,
os atletas da CBF evitaram a imprensa e correram
para o hotel, de onde só sairão amanhã, pois não
abrem mão do único compromisso para hoje.

Todos querem saber qual o canal de TV da África
do Sul que vai transmitir o grande clássico mundial
interclubes entre o ABC de Natal e os terceiros
reservas do time juvenil do Boca Juniors.

Na foto acima, dirigentes e jogadores da CBF
testam o telão do Hotel Fairway e sintonizam no
sistema de vídeo do blog de um iludido torcedor
do ABC de Natal.


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O Boca perdeu de novo



A
crise no Boca Juniors não dá sinais de que vá parar tão cedo, nem mesmo em solo americano e enfrentando clubes da Major League teoricamente mais fracos que o futebol argentino. Ontem à noite, uma nova derrota do time portenho, em Seattle. O jogo é manchete do diário OLÈ de hoje.
 

O time do Seattle Sounders venceu por 3 x 0, com gols de Roger Levesque, Pat Noonan e Myke Seamon. O máximo que o Boca fez para insinuar que jogaria com a raça peculiar de um campeão mundial foram algumas boas jogadas no primeiro tempo. 

A presença do craque Viatri e seus dribles desconcertantes parecia indicar uma supremacia de bola como aconteceu no domingo, em Los Angeles, quando o Boca perdeu por 1 x 0 para o Galaxy, mas jogou visivelmente melhor. 

O equilíbrio entre as equipes no primeiro tempo foi fruto do talento do atacante Viatri e do goleiro americano Kasey Keller, um veterano com bastante experiência debaixo das traves e que salvou um gol certo no primeiro tempo.  

Faltavam apenas 4 minutos para o intervalo quando o jogador Freddy Montero, do Seattle Sounders, bateu uma falta e a bola rebateu na barreira boquense. Na sobra, o atacante Lavesque meteu para o fundo do gol de Javier García. 

No segundo tempo, o domínio de bola do Boca sumiu por completo. Fica evidente que o time sente a falta das jogadas criadas pelo meia Riquelme, que se recupera de uma cirurgia. Aos 18m, Pat Noonan tocou para Gastón Sauro marcar o segundo gol.  

O resto do jogo foi uma mistura de crise de bola com ausência de fôlego do Boca Juniors, cuja delegação tem feito passeios pelos EUA sem qualquer preocupação com a preparação física e técnica para os amistosos. E o Seattle dominou o jogo. 

No terceiro gol, um míssil de Seamon, o time platino já não tinha pernas e completou o segundo jogo da excursão – chamada de USA Tours 2010 – sem fazer um gol sequer nas redes norte-americanas. No domingo, perdeu por 1 x 0 para o ex-clube de David Beckham. 

Nesta quinta-feira, enquanto os TERCEIROS reservas do Boca se preparam para jogar em Natal, a equipe titular vai encarar, daqui a pouco, quase 400km de rodovias numa viagem até Portland, onde no sábado jogará contra o Timbers. 

A turnê do Boca Juniors pelos EUA tem um claro objetivo de faturamento extra e para manter o time em treinamento até o início dos trabalhos sob o comando do novo técnico, Claudio Borghi, que assume em definitivo no dia 14 de junho. 

Junto com os titulares, viajaram também os principais jogadores do elenco juvenil, alguns garotos que são promessas para a próxima temporada. As apostas são nos jovens craques Aguero (homônimo do atacante do Atlético Madrid), Blandi, Colazo e Gaona Lugo (o melhor deles). 

Juntamente com a delegação do Boca, viajam alguns jornalistas dos principais jornais, rádios e TVs de Buenos Aires. A fanática torcida xeneize tem acompanhado os amistosos via Internet. Muitos se concentram no bar da Casa Amarilla, a sede oficial do clube. 

Importante destacar que os amistosos em solo americano não têm qualquer valor de pré-temporada, que só se inicia a partir do dia 15 de junho sob a direção de Borghi, o técnico que conquistou o Torneio Clausura pelo Argentinos Juniors. 

Claudio Borghi, de 45 anos, é um ex-atacante que atuou pelo Milan da Itália, River Plate e até pelo Flamengo, quando foi contratado para substituir Bebeto e decepcionou a Gávea. Pela seleção argentina, foi campeão do mundo em 1986. 

Vai substituir Robert Pompei, que está se despedindo com o giro nos EUA e ganhou a função de treinador por causa da demissão de Abel Alves, em abril. Pompei é um funcionário do clube, chefe das divisões infantis e juvenis, e deve voltar para lá.


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Show de Loco Abreu



G
oleada também para o Uruguai na despedida
antes do embarque para a África do Sul, e com 
dois gols do ídolo do Botafogo, que ontem perdeu
para o Cruzeiro em Belo Horizonte.

No último jogo antes de viajar para participar da 
Copa do Mundo, a seleção uruguaia goleou Israel
por 4 a 1, ontem, no estádio Centenário de Montevidéu.

Diego Forlán abriu o placar aos 14 minutos do primeiro tempo.
Lior Rafaelov empatou para os israelenses aos 30, mas os
donos da casa passaram novamente à frente aos 36, com
Álvaro Pereira.

Com várias alterações no segundo tempo, o Uruguai contou
com dois gols de Sebastián "Loco" Abreu, que definiu
o resultado, com gols aos 29 e aos 36 minutos.

A Celeste está no grupo A da Copa 2010, com França,
África do Sul e México.



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O som que vem da Alemanha


Ela ainda tem 19 anos e já tomou conta das paradas de
sucesso da Alemanha e vizinhança, depois que venceu
a última fase do disputadíssimo Festival Eurovision da
Canção 2010 com a música "Satelite".

Lena Meyer-Landrut, ou apenas Lena, está na boca e
no corpo da juventude alemã, que está totalmente
arrebatada pelo suingue da sua música e pela força da
sua voz de groupie embriagada.

A menina nasceu em Hanover, em 1991, e é neta do
ex-embaixador alemão na União Soviética nos anos 80,
Andreas Meyer-Landrut. Após vencer uma eliminatória
em Oslo, na Noruega, e conquistar o júri e a platéia do
Eurovision, Lena emplacou sua música em primeiro lugar
nas rádios alemãs. E há poucos dias lançou o primeiro
CD, batizado de "My CD Player".

Curtam o balanço gostoso de "Satelite" e o gingado
sensual da bela gata da Alemanha.


Veja o video:

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Zé da Fila


Por Ugo Vernomentti*


F
inal dos anos 50 para começo dos 60, o menino de apenas 12 anos saía de casa, no bairro das Rocas, de segunda a sexta às 4h da manhã e só voltava para casa quando o arrebol salpicava de vermelho e laranja a tela da imensidão do céu de Natal.

Nas ruas da Ribeira e do Centro, da então pequena cidade, ele misturava trabalho e lazer sem qualquer horário que definisse o que era o quê. Os biscaites proporcionavam pequenos lanches que, na soma do dia, substituíam pelo menos duas refeições.

Foi nessa profusão de favores que o garoto conheceu um jovem comerciante oriundo de Martins, que chegara a Natal no fim dos anos 50 para construir a vida com um empreendimento gráfico. Sinval Dias adotou o estalecido José como seu multi estafeta.

O garoto fazia de tudo, desde subir a Junqueira Aires para entregar bilhetes anônimos ao mestre Câmara Cascudo, comprar ingressos de futebol no Juvenal Lamartine ou deixar pacotes na rodoviária, com cortes de tecido que Sinval mandava para namoradas no interior.

Em fins de 1957, José deixou um pequeno envelope na soleira do casarão de Cascudo, com um papel em que os garranchos do remetente provocavam o historiador: “Sua literatura só tem superstições e costumes de gente besta”. Em 58, saiu o livro “Superstições e Costumes”. Bem feito.

Naquele mesmo ano, José rodou quase a cidade inteira procurando um rádio para Sinval, que queria um modelo com cores em verde e amarelo, por causa da Copa do Mundo e para ouvir os gols de Vavá, o atacante que na infância jogo no CLEM de Martins.

Na campanha política de 1960, Sinval utilizou os préstimos do já adolescente José para executar uma idéia que ele planejou por meses. Comprou uma calça de Nycron verde e uma camisa Volta ao Mundo na mesma cor e paramentou José, que logo foi apelidado de bacurau.

Aproveitando o radicalismo cromático da época, instruiu o rapaz a visitar as casas com bandeiras verdes na cumieira (bandeiras vermelhas eram de Dinarte Mariz) e o fez decorar um papo de vendedor da Enciclopédia Britânica. José virou o “arrecadador da esperança”.

De Natal a Macaíba, a versão humana do “bicho folha” de Sinval rodou a sacola pedindo ajuda para catapultar a vitória do cigano Aluizio Alves. Dizem as más línguas que o apurado foi aplicado e até hoje financia viagens do empresário martinense à Europa.

Mas foi a partir de 1964, quando Sinval Dias tomou dois meses de cadeia por suspeita de terrorismo, que o José das Rocas ganhou em definitivo o apelido de Zé da Fila. A mando de Sinval, o rapaz dava plantão na fila do INPS para vender consulta médica.

Todos os dias, durante trinta anos, Zé da Fila varava madrugadas nas filas do sistema público de saúde para garantir atendimento de quem chegasse depois do café da manhã. E foi num final de manhã que o rapaz acabou envolvendo o seu superior em aventura pior.

Um tal de Luciano Nicotina entregou uns papéis a Zé da Fila, dizendo ser umas fichas que Sinval pediu para ele distribuir com os populares que aguardavam atendimento. Mas, era um texto espinafrando um coronel do Exército e elogiando uns caras da Casa do Estudante.

Quando uma “rádio patrulha” do 16 RI arrochou na entrevista, Zé da Fila quis demonstrar seu lado obreiro e cidadão e danou-se a falar que trabalhava para o “doutor Sinval” e que o patrão iria explicar tudo aquilo. Até hoje Sinval morre de medo de comunismo.

Não houve um tipo de serviço em boca de caixa, fila de cinema ou de supermercado que nos últimos 40 anos não estivesse a figura esguia – agora envelhecida – de Zé da Fila. Mesmo aposentado graças a um esquema político do amigo, continua servindo ao empresário de Martins.

Semana passada Zé da Fila foi visto no Detran e na Central do Cidadão, tentando regulamentar a carteira de motorista de Sinval. Passou três dias madrugando em postos de saúde da periferia só para conseguir a vacina grátis da gripe suína para o velho amigo.

A partir do final de julho, Zé da Fila tem uma grande missão. Sinval Dias já orientou o inseparável auxiliar a plantar-se todas as manhãs no Largo do Machadão. De posse de um cartão VISA, o eterno estafeta só sai de lá quando tiver os ingressos para os jogos da Copa 14 na Arena das Dunas.

*Editor de Cultura do Sanatório da Imprensa


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