Juiz do TSE não quer que programa de Zé Serra mostre Collor pedindo voto para Dilma - Atriz Rachel Welch, símbolo sexual dos anos 60 apelidada de "O Corpo", completa 70 anos - Café com leite no futebol: São Paulo vira jogo com Atlético e Cruzeiro vira contra Palmeiras, ambos por 3 x 2 - Jovem atriz Emma Watson, a Hermione de Harry Potter, anuncia afastamento do cinema - Após fazer o lançamento em Madrid, a cantora Shakira lança nos EUA seu perfume "S by Shakira" - Governantes e partidos políticos espanhois não acreditam no cessar fogo do grupo ETA - Médicos recomendam repouso para José Dirceu por causa de hipertensão arterial - Uma sequência de pequenos terremotos continua assustando a população da Nova Zelândia - 4 mil argentinos invadem o estádio La Bombonera para ver o treino da seleção da Espanha - Dirigente petista diz que maioria dos militantes potiguares irá votar no candidato do PDT -  

Lauro Jardim, na Veja:



O
deputado potiguar Fábio Faria (PMN) tem um cabo eleitoral de peso. Desde o fim do ano passado, sua namorada, a apresentadora Sabrina Sato, participa das viagens e comícios que ele faz no interior do Rio Grande do Norte. Filha e neta de vereadores da paulista Penápolis, Sabrina é desenvolta. Desce do palanque, conversa com a população e realça a imagem de galã de Faria, o mais votado em seu estado, em 2006. Os correligionários do moço acham que o apoio de Sabrina lhe renderá milhares de votos. O deputado só não contava com que ela passasse a pensar em se lançar também na política.


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Lya Luft, na Veja:


No meio da tragédia do Haiti,
que comove até mesmo os calejados repórteres de guerra,
levo um choque nacional. Não são horrores como os de lá,
mas não deixa de ser um drama moral.
O relatório "Educação para todos", da Unesco, pôs o Brasil
na 88ª posição no ranking de desenvolvimento educacional.
Estamos atrás dos países mais pobres da América Latina,
como o Paraguai, o Equador e a Bolívia.
Parece que em alfabetizar somos até bons, mas depois
a coisa degringola: a repetência média na América Latina
e no Caribe é de pouco mais de 4%. No Brasil, é de quase 19%.



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Gene Hackman - 80 anos


Gene Hackman as Admiral Reigart in 20th Century Fox's Behind Enemy LinesGene Hackman and Rebecca Pidgeon in Warner Brothers' Heist
Gene Hackman as Popeye Doyle in 20th Century Fox's The French ConnectionGene Hackman as Admiral Reigart in 20th Century Fox's Behind Enemy Lines
Ele pertence a extirpe dos monstros sagrados do cinema, do
grupo dos superastros, um dos mais fantásticos atores da indústria
de Hollywood em todos os tempos.
Contamos nos dedos os papéis interpretados por ele que não
tenham nos tocado de alguma forma.
Gene Hackman faz aniversário hoje e os fãs festejam pelo mundo.


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O Flagelo Vermelho



A
primeira impressão que eu tive foi como se a tecnologia do teletransporte de Jornadas nas Estrelas houvesse transferido para a Praça da Liberdade, em plena Belo Horizonte de 1983, algumas dezenas daqueles que foram a Woodstock, em agosto de 1969.

Um final de manhã de um domingo, as cores de gente e coisas formavam uma imagem caleidoscópica móvel e eu só tinha olhos para as duas colegas, estudantes de psicologia que vieram de Piracicaba para me acompanharem a um festival em Diadema.


A famosa Feira Hippie de Beagá, criada em 1969 no ano da loucura musical na fazenda de Bethel e que em 1991 foi transferida para a Avenida Afonso Pena, era um show de variedade comercial e estilo pessoal. As meninas pararam diante do jovem inglês.

Mara e Mariângela escolheram uns brincos, não lembro ao certo, e me chamou a atenção uma revista esportiva embaixo de duas flautas doces. Tinha na capa uma foto do craque Zico, com a camisa da seleção de 1982, e outra maior de um jogador do Liverpool.

Por insistência do garoto britânico, movida pela minha curiosidade, acabei trocando a revista por algumas moedas, nada muito além de duas ou três passagens nos ônibus azuis da CMTC. Paguei por Zico e acabei apresentado a um mito na terra dos Beatles.

O cara na foto maior da revista que até hoje guardo em meu acervo era o galês Ian Rush, o maior goleador de toda a História do time do Liverpool e um dos mais fantásticos artilheiros da glamurosa e organizada liga inglesa de futebol.

Estávamos ali, no frescor de uma geração que tinha entre seus ídolos da mesma idade figuras como Madonna, Cazuza, Michael J. Fox, Maradona, Michael Jackson, Hortência, Oscar. E do outro lado do Atlântico, a Europa cultuava os gols de Rush.

Descoberto nas peladas do colégio e das divisões inferiores no seu País de Gales, Ian James Rush chamou a atenção da audiência inglesa com uma profusão de gols reforçada pela mitificação das testemunhas que diziam maravilhas do garoto.

A timidez peculiar, um jeitão introvertido, o manteve jogando no meio campo até a chegada dos anos 80, quando as arrancadas em direção às traves inimigas já o definiam como um guerrilheiro do gol, uma espécie de soldado universal armado até os dentes.

Apesar da simpatia que nutria pelo rival Everton desde moleque, estreou pelo clube vermelho de Anfield no final de 1980, após uma negociação que entrou para os anais da Premier League como a maior quantia já paga pelo passe de um adolescente.

Nunca um investimento de trezentas mil libras esterlinas foi tão lucrativo em se tratando da mais importante moeda do futebol, o gol. Ian Rush virou uma máquina de marcar, chegando a provocar na mídia comparações com o ícone John Charles, seu compatriota.

Já na temporada 1983-84, período de edição da revista que comprei na Feira Hippie de Belo Horizonte, ele consagrava seu instinto predador ganhando a Bota de Ouro de maior artilheiro do futebol no continente europeu. Era disso que tratava aquela capa.

Suas estatísticas legitimam a mitificação em torno dele existente até hoje. Foram quase 400 gols em mais de 600 partidas pelo Liverpool, além de um sem número de jogos em que converteu mais de dois ou três gols, algumas vezes até quatro, um flagelo dos goleiros.

Na grande casa que o craque tem na península de Wirral, na fronteira da Inglaterra e País de Gales, entre os rios Dee e Mersey, repousa para a sua glória e a curiosidade dos fãs uma invejável coleção de troféus. Ninguém tem uma igual em todo o Reino Unido.

Ian Rush enlouquecia a fanática torcida do Liverpool e acabava respeitado e venerado pelas outras dos demais times britânicos. Reinou no antigo templo sagrado de Wembley marcando cinco vezes em quatro finais de campeonato. Virou um mito vivo.

Tanto no estádio de Anfield como no comércio da cidade dos Beatles é comum encontrar-se souvenires em memória dos seus feitos. Um dos produtos mais vendidos é uma réplica da camisa que ele usou na final da Copa da Europa de 1984, quando o Liverpool ganhou a taça em cima do Roma.

O formidável talento do artilheiro foi prejudicado pelo mesmo obstáculo que atrapalhou a genialidade do irlandês George Best: a nacionalidade. Tivesse o País de Gales alguma tradição coletiva no futebol, seus gols seriam mais gloriosos e universais.

Jogou 78 vezes com a camisa do seu país, jamais querendo vestir a inglesa ou a escocesa, como já fizeram alguns outros. Defendeu times como o Chester City, a Juventus, o Leeds United, o Newcastle e o Wrexham, mas foi no Liverpool, em dois períodos – 80 a 87 e 88 a 96 – aonde construiu a idolatria que não acabará.


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Augusto Nunes, em Veja Online


E$$e$ trê$ $abem da$ Coi$a$

Eleito presidente do PT, o companheiro sergipano José Eduardo Dutra prometeu recrutar os melhores e mais brilhantes do partido para a composição do diretório nacional. O Brasil soube há dias que essa tropa de elite, se depender de Dutra, será liderada pelos craques José Dirceu, José Genoíno e João Paulo Cunha.

Os três veteranos armadores também são titulares absolutos do Bando dos 40, denunciado pelo procurador-geral da República e instalado pelo Supremo Tribunal Federal no banco dos réus reservado aos protagonistas do escândalo do mensalão.

Por que Dutra estendeu acintosamente a mão amiga a três delinquentes juramentados?, quiseram saber os jornalistas.  “Primeiro, para mim, não existe esse termo, mensaleiros”, começou o legítimo herdeiro de Ricardo Berzoini.

“Depois, é um orgulho fazer parte da chapa ao lado de Dirceu, Genoino e João Paulo”, tentou terminar.
Os jornalistas insistiram no assunto, o entrevistado perdeu a paciência: “Não tem sentido prescindir da experiência desses companheiros num momento tão importante como este, em que temos a pré-campanha da ministra Dilma Rousseff à Presidência”.

Na abertura do trecho encimado pelo subtítulo Quadrilha, a denúncia do procurador-geral Antonio Fernando Sousa fez um  didático resumo da ópera:
O conjunto probatório produzido no âmbito do presente inquérito demonstra a existência de uma sofisticada organização criminosa, dividida em setores de atuação, que se estruturou profissionalmente para a prática de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, gestão fraudulenta, além das mais diversas formas de fraude.

A organização criminosa ora denunciada era estruturada em núcleos específicos, cada um colaborando com o todo criminoso em busca de uma forma individualizada de contraprestação. Pelo que já foi apurado até o momento, o núcleo principal da quadrilha era composto pelo ex Ministro José Dirceu, o ex tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, Delúbio Soares, o ex Secretário-Geral do Partido dos Trabalhadores, Sílvio Pereira, e o ex Presidente do Partido dos Trabalhadores, José Genoíno.

Como dirigentes máximos, tanto do ponto de vista formal quanto material, do Partido dos Trabalhadores, os denunciados, em conluio com outros integrantes do Partido (um deles é João Paulo Cunha, copiosamente mencionado nas páginas seguintes), estabeleceram um engenhoso esquema de desvio de recursos de órgãos públicos e de empresas estatais e também de concessões de benefícios diretos ou indiretos a particulares em troca de ajuda financeira.

O objetivo desse núcleo principal era negociar apoio político, pagar dívidas pretéritas do Partido e também custear gastos de campanha e outras despesas do PT e dos seus aliados”.A releitura do texto permite enxergar as coisas com penosa nitidez. Enquanto o Brasil que presta faz escolhas baseado em biografias, a companheirada elege chefes pelo tamanho do prontuário.

Basta retocar graficamente a última frase de José Eduardo Dutra para entender por que sente vontade de cantar o Hino Nacional quando vê a trinca por perto: “Não tem $entido pre$cindir da experiência de$$e$ companheiro$ num momento tão importante como e$te, em que temo$ a pré-campanha da mini$tra Dilma Rou$$eff à Pre$idência”.
É isso. Os bandidos já ensaiam a continuação da série ultrajante sem que o primeiro dos faroestes sequer tenha chegado ao fim.


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A charge do JB de hoje




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Barbie


Por Norton Ferreira*

M
inha Barbie chegou chorosa, a hora do almoço havia sido um horror, com o seu donatário acusando-a de andar distante, pensativa; fora surpreendida em risos aéreos e flagrada em esquecimentos inadmissíveis, além de dois meses e sete dias numa mau simulada greve de sexo.

"O ciúme sabe mais que a verdade", diz Gabriel García Márquez, em Memória de Minhas Putas Tristes. Eu digo que a mulher nega afirmando e afirma negando. Chegou chorosa, minha Nick, mas radiante com a vida querendo viver; os castiçais se curvaram e a tarde se avermelhou diante da sua beleza.


Num ar de cumplicidade, vi quando lá da parede a Mona Lisa lhe piscou o olho, alargando um pouco mais o seu enigmático sorriso. Todo homem deveria ter o olhar dos amantes.
Ficamos abraçados por um bom tempo, balbuciando coisas e tramando deliciosas besteiras.

Minha Barbie desgarrou-se de mim e saiu apagando luzes e acendendo outras; gostava de fazer o ambiente, de preparar a luz, como se faz no cinema.
Acendeu incensos, trocou a música, mudou almofadas, me deu um beijo; ligou o ar, tirou a blusa, me deu um beijo; abriu uma cerveja, o celular tocou, desligou o celular, soltou o cabelo, tomou um gole, me deu um beijo; levantou-se, pegou uma taça, pegou um vinho, servi sua taça, ganhei um beijo, ganhei um beijo.

Não há cena mais linda do que uma mulher com uma presilha na boca preparando-se para prender o cabelo. Ah, Nick..., saudades desse olhar mortiferamente enviesado. Pegou a toalha, tomou outro gole, ganhei um beijo.


Voltou do banho mas não veio nua, teve o pudor e o cuidado de manter sua pulseirinha. Aproximou-se e disse "Vá tomar seu banho, quero brincar com este vinho em você." Nesta hora, Chico, o Buarque, cantava: "Não se avexe não, que nada é pra já, o amor não tem pressa, a vida pode esperar...".


Fui para o banho e voltei para o sacrifício; lembro-me bem das primeiras gotas do suave veneno escorrendo pelas goteiras da minha pestana. O Sol conspirou fugindo mais cedo, e tivemos que nos despedir, com direito a lágrimas e a promessas que nunca irão se cumprir.


Quando tudo não era mais nada, voltei para o quarto, e me assustei com o que vi. Não, eu não acreditava que havia estado alí. Me perguntei: meu Deus, o que é isto? Na cama, o lençol como um oceano branco exibia algumas marolas e pequenos redemoinhos; na cabeceira, uma garrafa de cor verde fora largada e repousava suavemente o pescoço num dos travesseiros amarfanhados de luxúria e paixão.


Fiquei ali, querendo entender a beleza daquela cena. A campainha tocou, fui atender. Como um espectro, o doutor Barbie estava diante de mim. Tudo bem, pode atirar, lhe disse, mas antes venha aqui, por favor.


Me diga o que é isto, e lhe apontei a cena do outro crime: aquele oceano branco, as marolinhas no lençol, os redemoinhos embriagados, a inocência no singelo sono da garrafa... É Gaugin!, é Gaugin!!, isto é arte!, disse ele. Isto é um quadro de Paul Gaugin!!!.

(Norton Ferreira é publicitário e um puta cronista)



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Futebol na TV - 27.01.10



Hoje é dia de derby para inglês ver e nós também.
A volta do craque Adebayor (começando no banco) e as
provocações mútuas de Carlitos Tevez e Wayne Rooney
são fortes ingredientes para apimentar o já apimentado
clássico inglês de Manchester United x Manchester City,
logo mais às 17h, na ESPN Brasil, ao vivo.


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A Gênese da Negritude Mágica



Os ventos da liberdade sopravam para o passeio público as areias das praias do Rio de Janeiro naquele setembro. A luz de uma nova concepção da arte, acesa na Semana de Arte Moderna, espocava nas mentes dos intelectuais brasileiros.

No então ainda novo estádio do Clube Fluminense, milhares de pessoas foram assistir aos Jogos Latinoamericanos de 1922, que marcavam o centenário da Independência do Brasil. Vivíamos a idade da inocência nos esportes e o futebol era circense.

Os torcedores brasileiros não entenderam bem quando um pequeno grupo de cidadãos uruguaios gritou aquele nome, acenando em direção aos atletas na pista de corrida e que dali a pouco disputariam os 400 metros. “Gradin, Gradin, Gradin!”, num só grito.

O que os nossos antepassados arquibaldos não sabiam era que aquele negro magricela, de pernas finas e um semblante de escravo faminto e raquítico gozava no Uruguai um estágio de ídolo, de um atleta fenomenal que dava alegrias em duas modalidades.

Isabelino Gradin não apenas era o corredor mais rápido da América Latina, detentor de alguns recordes nos 200, 400 e 800 metros, como também era um mago do futebol, um gênio da pelota quando defendia o time do Peñarol e a seleção do Uruguai.

Para alguns historiadores esportivos, foi o primeiro ídolo negro da História do futebol, anos antes da “Maravilha Negra” José Leandro Andrade, ao lado do amigo Juan Delgado, ambos protagonistas do título uruguaio na primeira Copa América, em 1916.

Nos remotos e incipientes gramados sulamericanos, Gradin imprimia no trato com a bola a velocidade que trazia das pistas de atletismo. Esquálido como um zumbi, as pernas pareciam ter a força de uma pantera, corria como um ciclone preto em ação.

Gradin começou a jogar bola em 1915, mas sua extrema velocidade ficou conhecida a partir de 1911, quando o presidente da República do Uruguai, José Batlle e Ordoñez, implantou a Comissão Nacional de Educação Física para estimular a prática esportiva.

Oriundo das brincadeiras de pique e de bola das ruelas dos bairros Palermo e Sur, aonde viviam as populações negras, Isabelino Gradin acabou sendo o primeiro menino, pobre e negro, a ser beneficiado pela política de incentivo esportivo do governo.

Virou titular do Peñarol em 1915 e já no ano seguinte era um fenômeno na seleção do país, alegria do seu povo e terror de vizinhos como Argentina, Chile e Brasil. “Gradin, Gradin, Gradin!”, gritavam os torcedores uruguaios em louvação ao seu deus.

O poeta peruano e vanguardista Juan Parra del Riego (1894-1925), cuja pátria invariavelmente também era vítima das jogadas velozes do mago uruguaio, dedicou o poema “Polirritmo ao jogador de futebol” para Isabelino Gradin. Eis um trecho:

Gradín! Gradín! Gradín! Y en el ronco oleaje negro que se quiere desbordar, saltan pechos, vuelan brazos y hasta el fin todos se hacen los coheteros de una salva luminosa de sombreros que se van hasta la luna a gritarle allá: Gradín! Gradín! Gradín!”.

Com sua agilidade felina e o talento dos dribles estilo “en passant”, Gradin estabeleceu a gênese da dignidade negra nos gramados, fechando o abismo existente no futebol elitista praticado no Brasil e dos operários brancos na Argentina.

Quando o Uruguai goleou o Chile por 4 x 0 na primeira Copa América, foi acusado formalmente pelo adversário de ter inscrito irregularmente dois atletas de países africanos. Eram Gradín e Delgado. Perderam também no tapetão e o racismo tomou mais um gol na América.

Gradin foi um dos mais brilhantes e poderosos atacantes do futebol sulamericano em todos os tempos, poucos até os dias de hoje repetiram sua força de arranque, a capacidade de domínio total da bola enquanto desenvolvia a corrida. Era imparável.

Seus feitos reverberavam pelos campos de todo o continente e ao lado de outro monstro do futebol uruguaio, “El Maestro” Piendibene, atanazava os zagueiros do início do século XX. Quando disparava com a bola, o amigo lhe fazia galanteios: “pode passar, Isabelino”.

Poucos anos antes do Uruguai dominar o esférico planeta com os títulos olímpicos e a primeira Copa do Mundo, Gradin deu espetáculos nos gramados e nas pistas. O grande Mário Filho viu nele a fonte de uma nova era nos estádios do futuro, recheados de craques negros.

Gradin ganhou dezenas de medalhas entre 1916 e 1928 como velocista e outras como craque da seleção Celeste. Seu jogo triunfal e histórico aconteceu em 12 de julho de 1916, pouco depois de atropelar os chilenos na tal partida do preconceito.

Era contra o Brasil, o bom time do artilheiro Friedenreich, que começou logo fazendo 1 x 0. Os brasileiros davam espetáculo em gramado argentino, até que no segundo tempo entrou Gradin, aquela figura diferente, único negro entre 21 atletas brancos.

Os uruguaios empataram o jogo com um gol da fera e depois viraram, abrindo caminho para a grande final contra os anfitriões, que mais uma vez tremeram diante de Isabelino Gradin, o mago feito de ébano que ganhou o apelido de “Terror das Pistas”.


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100 anos de uma lenda do jazz europeu



P
aris está comemorando o centenário de Jean "Django" Reinhardt com uma série de shows e eventos especiais. Vários clubes estão investindo na música de Django e até uma praça foi batizada no dia 20 com o nome dele. Reinhardt completaria 100 anos no sábado, 23.

Nascido na Bélgica, mas criado em Paris, Reinhardt é tido com o pai do jazz europeu. O músico desenvolveu um estilo único de tocar guitarra depois de um acidente doméstico ter provocado sérias queimaduras no seu corpo, incluindo a mão esquerda.

Django foi reverenciado por seu pioneirismo nos anos 1930, e o estilo próprio da sua guitarra é popular na França até hoje. Entre os seus seguidores estão muitos músicos não oriundos da etnia sinti, que faz parte do povo conhecido como cigano. Mas são os sinti franceses, conhecidos como manouches, que realmente levantam a bandeira de Django.

Os Maillies são uma das tantas famílias ciganas que se dedicam à música. Eles vivem num subúrbio de Paris. Sentado no seu trailer perto de uma fábrica abandonada, o jovem Vincent, de 23 anos, empunha uma guitarra enquanto espera o padastro afinar a dele.

Reinhardt viveu em acampamentos cigano durante a maior parte da sua juventude, aprendendo a tocar banjo, guitarra e violino ainda jovem. Aos 18 anos, um incêndio no seu trailer causou graves ferimentos no corpo do músico: a perna direita ficou paralisada e os dedos médio e anular da mão esquerda ficaram seriamente compromotidos.

De forma inesperada, Reinhardt pôde voltar a andar com a ajuda de uma bengala. Apesar de os médicos terem-lhe dito que ele não teria mais condições de tocar guitarra, a deficiência na mão esquerda acabou forçando-o a desenvolver uma técnica musical completamente nova. Ele usava os dedos sãos da mão esquerda, especialmente o polegar, para tocar solos, deixando os dedos paralisados apenas para o violão acústico.

A genialidade de Django também se expressou na sua mistura do jazz de New Orleans nos anos 1920, valsas francesas (valses musettes) e música cigana. Dessa mistura de géneros surgiu o que ficou conhecido como gypsy swing.

Em 1934, Reinhardt, ao lado do violinista parisiense Stéphane Grappelli, formou o Quintette de Hot Club de France, que incluía ainda o irmão de Django, Joseph, e Roger Chaput nas guitarras e Louis Vola no baixo. Em algumas ocasiões, Pierre Ferret substituía Chaput.

O Quintette de Hot Clube de France ajudou a colocar a Europa no mapa do jazz mundial e o se tornou um dos poucos grupos de jazz composto apenas por instrumentos de cordas.

Enquanto muitos integrantes das etnias sinti e roma foram assassinados pelos nazistas, Djando conseguiu sobreviver à Segunda Guerra Mundial vivendo em Paris, aparentemente aproveitando a proteção de um oficial da Luftwaffe que admirava seu talento musical.

Durante sua carreira, Reinhardt – que preferia a pouco usual guitarra Selmer-Maccaferri – tocou com lendas do jazz, como Coleman Hawkins, Louis Armstrong, Duke Ellington e Dizzy Gillespie. Inúmeros músicos contemporâneos o citam como influência fundamental.

E ainda hoje, mais de 50 anos após a prematura morte de Django, aos 43 anos, a música criada por ele permanece em evidência. Alguns dos artistas mais famosos do jazz francês são guitarristas ciganos, como Christian Escoude e Bireli Lagrene.

(Por John Laurenson, Louisa Schaefer e Alexandre Schossler, do portal Deutsche Weller)


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Gato folgado



O
textículo abaixo foi enviado pelo publicitário,
leitor do blag, Carlão Pacheco, diretamente lá
de Santa Catarina:

Eu tenho um gato siamês chamado Bukowski.
Meu gato dorme em media 20 horas por dia.
Ele tem toda a comida preparada para ele.
A comida é dada a ele sem custo.
Ele visita o veterinário uma vez ao ano, ou quando
necessário, se algum mal aparece.
Por isso ele não paga nada, e nada é pedido a ele.
Mora em uma boa vizinhança e em uma casa que é
muito maior do que necessita, mas não precisa
limpar nada.
Se ele faz sujeira, alguém limpa.
Ele escolhe os melhores lugares da casa para dormir,
e recebe essas acomodações completamente grátis.
Vive como um rei e não tem nenhuma despesa
devido a isso.
Todos os seus custos são pagos por outras pessoas
que tem que sair de casa para ganhar a vida todo o dia.
Eu estive pensando sobre isso, e de repente veio
a resposta rapidinho:
- puta que pariu, meu gato é petista!

(Carlão Pacheco)


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Só para vascaínos


Dodô foi o responsável por 3 gols dos 6 marcados pelo Vasco. Foto: Fernando Soutello/Agif/Gazeta Press
1                2                 3                 4                  5                   6
Do            Do               Do               Do               Do              Do



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Só para botafoguenses


As imagens históricas do Canal 100 na decisão
do Carioca de 1968. Vejam o show alvinegro:



Veja o video:

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Meu lado substantivo



Ninguém pense que me fere com palavrões. Não atirarei pedras ou facas se alguém me chamar de “filho da puta”, de “canalha”, de “corno”, de “veado”, de “maconheiro”. Só não insinue que eu escrevo a troco de dinheiro, exceto o que Marcos Aurélio paga.

Minha coluna fez aniversário de 20 anos, 10 deles em O Jornal de Hoje. Não está no ar por servir a interesses de políticos ou por ser protegida por endinheirados. Chamar o que faço de “jornalismo de encomenda” é me colocar de volta nas rinhas da minha juventude.

Nenhum engraçadinho com mania de palmatória do intelecto alheio vai me acusar de usar Portfolio para ajudar partidos ou políticos, sem que receba de volta a mesma ira que eu imprimia às trocas de bofetes nas ruelas da adolescência. Sou arruaceiro.

Natal está tomada de figurinhas mitificadas como gente “do bem” que vivem desancando todo aquele que não beba no seu boteco, que não reze na sua igrejinha, e que não siga conceitos e preconceitos da sua mesma ideologia que pregam em teoria.

Acusam tudo e todos de conspirarem contra o que eles acreditam. E por acharem que o que eles acreditam é o certo – o fanatismo cultural – vomitam o verbo inquisidor contra jornalistas, empresários e veículos de comunicação. Foi assim em 2008.

A mesma figura que hoje acusa minha coluna de servir à Assembléia Legislativa (presidida por um amigo meu de longa data, a quem prezo como irmão) e a outros poderes, chefiava um grupelho que tentou condenar o JH na campanha eleitoral.

Tal figura, que jamais vi pessoalmente a não ser num 3 x 4 virtual – apesar de conhecer seus passos desde a década de 70 – cuspiu piadinhas contra mim e contra o JH, que ele e seus amigos vociferavam por ter apoiado a candidata do PV, Micarla de Sousa.

Ora, todos eles votaram e apoiaram a petista Fátima Bezerra, o que não os compromete em nada, a não ser no fato de posicionarem-se em lado ideológico frontalmente avesso ao meu, mas e daí? Quem define o que está errado, acaso o jogo do voto não é isso mesmo?

Eu nasci em Natal e Natal me conhece. Aqui construí muitos amigos e vou tentando construir – mesmo tarde demais – minha vida material, coisa aliás que jamais dei muito valor, motivo de críticas e conselhos de parentes e amigos. Sou assim.

Tenho o pavio dos nativos de escorpião, jamais dispenso uma contenda. Há os que se sentem feridos por um safanão, por uma indelicadeza ou por um desaforo verbal. Eu, não. Só me dói o calo da honestidade que herdei de meu pai. E quem pisa nele, vai levar porrada.

Nada me mete medo na província aonde cresci e me desarnei. A não ser as armadilhas que me empurrem para um deslize que arranhe minha integridade moral. Pode ser milionário ou mendigo, sumidade ou analfabeto, não me acusem de corromper 20 anos de batente.

A coluna Portfolio me dá um salário mensal; os dois tabletes publicitários no alto, ao lado do cabeçalho, proporcionam um bom troco; e eu mantenho – há anos (e sou pioneiro nisso), dois sites na Internet aonde publico fatos e opinião, e veiculo publicidade virtual, que emito nota fiscal.

Quem estiver pensando que tem o direito de me acusar de fazer “jornalismo de encomenda”, vai receber de mim sempre a mais virulenta das respostas. Ou então que trate de comprovar o que disse. Não pense que encontrará em mim a falsa elegância que reivindica a si mesmo em nome do “bom debate”.


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Futebol na TV 23.01.10



H
ora de Natal (10h45 em Brasília)

Band Sports, 9h00 - Fenerbahce x Denizlispor;

ESPN Brasil, 9h45 - Preston North End X Chelsea;

ESPN Brasil, 11h30 - Werder Bremen X Bayern Munique;

ESPN Internacional, 11h55 - Manchester United X Hull City;

ESPN Internacional, 13h55 - Catania X Parma;

ESPN Internacional, 15h45 - Valladolid X Barcelona;

Sportv 2 e ESPN Brasil, 16h45 - Juventus X Roma;

Sportv, 18h30 - Portuguesa X Bragantino;

Sportv, 22h10 - Independiente X Racing.



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Tarado na mira da Casa Branca


Malia y Sasha Obama
U
m professor da escola Sidwell, aonde estudam as filhas
do presidente americano Barack Obama, foi acusado de
abuso sexual contra uma menor pela Polícia dos condados
de Montgomery e Queen Anne, em Maryland, segundo
notícia publicada hoje pelo The Washington Post.

Robert Peterson, de 65 anos, que ensinava estudos sociais,
foi despedido esta semana, depois que tomou uma suspensão
em 14 de janeiro, por comportamento não condizente com a
função de mestre na escola das meninas Sasha e Malia, as
filhas de Barack e Michelle Obama.

Enquanto a Polícia conclui o inquérito, em busca de provas
contra o ato libidinoso de Peterson, o professor está
proibido de se aproximar da escola Sidwell, e ainda corre
o risco de se encontrar com o forte esquema de segurança
em torno das filhas do presidente.



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O Verdugo do Brasil



C
om Pelé e Garrincha em campo, a seleção canarinho jamais perdeu para ninguém. Todo mundo tenta, mas só o Brasil é penta. A supremacia do futebol brasileiro em copas do mundo consagrou frases e assertivas como as que iniciam este parágrafo.

No confronto direto com qualquer seleção do planeta, o time verde e amarelo domina as estatísticas da vantagem de gols e vitórias. “Domina, vírgula”, diriam os torcedores noruegueses, vestidos de guerreiros vikings e com as faces pintadas de vermelho.

Azar do Brasil por não ter, nas duas últimas décadas em que acumulou mais duas taças da FIFA, nas copas de 1994 e 2002, a presença de figuras como Pelé e Garrincha para garantir uma invencibilidade diante da seleção da Noruega e do seu gigante Andre Flo.

Com a altura dos deuses de Asgard e a precisão aérea do martelo Mjölnir, do poderoso Thor, Tore Andre Flo foi o mais mortal atacante já produzido em solo norueguês, o melhor jogador de todos os tempos na História do futebol no país da banda A-Ha.

Quando em 1996 o técnico Zagallo fez aviãozinho no gramado para devolver uma gozação coreográfica do seu colega da África do Sul, o time do Brasil deveria ter adotado nos anos seguintes uma tática com bateria antiaérea no meio da sua defesa.

As seleções da Europa, assim como os adversários de times como o SK Brann, o Chelsea, o Rangers, o Sunderland, o Sienna e o Leeds United (aonde jogou o aríete nórdico), jogavam olhando para o céu quando enfrentavam Andre Flo.

Foi sempre atacando pelo alto, concluindo as bolas cruzadas por seus companheiros de clubes e de seleção, que Flo acumulou gols e distribuiu sustos na sua carreira, encerrada em 2004 e consagrada principalmente por seu papel de carrasco do Brasil.

Nunca nenhum outro craque do mundo, nem mesmo os provocadores argentinos como Omar Sívori e Ubaldo Rattin, nos anos 60, ousaram ferir os brios da seleção brasileira mais de uma vez. Andre Flo fez do bombardeio aéreo sua glória de verdugo.

Em 1997, durante a preparação das seleções mundiais para a Copa da França no ano seguinte, o varapau de 1,93m detonou os tetracampeões com dois gols. E depois, em plena Copa do Mundo, executou mais uma vez a maior seleção do universo.

Andre Flo foi um dos mais perigosos atacantes da Europa que não se destacava em nenhuma posição tática ou geográfica. Seu jogo mortal não era feito pelo meio nem pelas pontas do gramado. Atacava por cima, como um B24 nos céus dos inimigos.

Desengonçado nos deslocamentos terrestres, parecia Olivia Palito em movimento. Mas quando decolava e abria os braços na conquista do espaço, era mortal como um pterossauro e preciso como uma chuva de mísseis nas montanhas afegãs.

Grandes zagueiros europeus que o enfrentaram não escondiam o temor da presença do norueguês em seus costados. Dava medo ver a corrida e o impulso de um cara que somava à altura o peso de 80 quilos. Andre Flo tinha a periculosidade de um meteoro.

Por mais coletivo que seja o futebol, não há como se separar a invencibilidade da Noruega frente ao Brasil da presença do artilheiro no time vermelho e branco. Com ele em campo, os compatriotas do dramaturgo Henrik Ibsen jamais perderam para os brasileiros.

Cultuado em sua pátria como “O Gigante Amável”, por causa da personalidade serena e às vezes descontraída, o atleta emplacou outro apelido que faz mais sucesso na Noruega do que os hits do A-Ha: “Flonaldo”, picardia remanescente dos gols que fez contra o time de Ronaldo.

É lembrado e respeitado até hoje pelas torcidas inglesas do Chelsea, do Sunderland e do Leeds, assim como pelos escoceses do Rangers e os italianos do Sienna, times aonde deixou a marca dos seus gols e dos espetáculos aéreos que sempre proporcionava.

Em 2008, Andre Flo, aos 35 anos, apareceu inteiro na tela da TV norueguesa, dançando num popular programa de TV. Mais do que os relativos dotes de bailarino, o país aplaudiu mesmo foi quando ele tirou uma moça para bailar. Ela estava com a camisa da seleção do Brasil.

Aposto um navio viking como cada norueguês imaginou Ronaldo ou Junior Baiano procurando Andre Flo no mezanino da área do goleiro Taffarel.


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Os 10 mais da bola



O
Barcelona é o melhor time do planeta nas últimas
duas décadas, seguido pelo Manchester United.
Na lista dos 10 mais, da IFFHS – Federation International
of History & Statistics of the Football, aparecem 9 europeus
e um sul-americano.
 

Eis a sequência dos 10 maiores clubes do mundo desde
1990 até hoje: Barcelona (Espanha), Manchester United
(Inglaterra), Real Madrid (Espanha), Juventus (Itália),
Milan (Itália), Inter de Milão (Itália), Bayern Munique
(Alemanha), Arsenal (Inglaterra), River Plate (Argentina)
e Chelsea (Inglaterra).


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O rap do Twitter


Na era do sucesso sem precisar de qualidade,
explode nas paradas do YouTube o "Rap do Twitter",
de gosto musical duvidoso, conteúdo idem, mas
com um fundo e um arranjo de verdade.
Cantemos, irmãos!


Veja o video:

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A lucidez de Van Gogh



E
se Vincent van Gogh foi um artista lúcido e não o Quixote louco que os relatos históricos transformaram em quase lenda? A pergunta virá à baila para quem visitar a exposição “The Real Van Gogh”, que se abrirá no sábado, na Royal Academy de Londres, e ficará aberta ao público até 18 de abril.

A mostra apresentará documentos que pertenceram ao pintor holandês, como cartas e outros escritos que podem revelar a sua personalidade. Segundo os curadores, o material sugere uma figura sistemática e perseverante, oposto do homem frenopático mitificado nos documentários e resenhas de pesquisadores.
 

Não se trata de negar os traços de loucura do artista, mas sim de retratá-los como eles realmente se apresentavam, os arrebatamentos esporádicos, e não um fator originário e central da sua genialidade.

Nesse sentindo, a mostra apresenta Van Gogh com muitas faces.
 Há o tipo campesino que bebe na taverna com o carteiro de Arlés; mas há também o intelectual panteísta  que ler a Bíblia e reflete em termos metafísicos. O amigo de Gauguin e de Seurat e o homem deslumbrado pela luz ofuscante do sul da França. 

A exposição está organizada em torno das cartas do artista, publicadas primeiramente por sua viúva em 1914 e cuja primeira edição chegou no ano passado nas livrarias da Europa. A Royal Academy apresenta cerca de 40 cartas.

Entre elas, a que escreveu a seu irmão Theo na véspera do seu suicídio, outra mais otimista que deixou na agência dos Correios e mais uma, desolada, que levava consigo quando deu cabo à vida.
 

A mostra revela um Van Gogh consciente e meticuloso, prisioneiro da sua sede de cultura e sua compulsão pela leitura, segundo explicou Ann Dumas, comissária da RA. Há cartas para Emile Bernard e para Paul Gauguin mas também para pessoas anônimas e membros da sua família. 

Em qualquer caso, é uma pequena seleção das mais de 900 cartas que deixou escritas o grande pintor, que também redigia em inglês e podia ler os originais de Shakespeare, Eliot ou Dickens. Há também na exposição 65 pinturas e 30 desenhos.  A maioria, pertencente ao museu do artista, em Amsterdã, e outros vindos do MOMA e da National Gallery. 

A mais violenta das telas, “Natureza morta com prato de cebolas”, representa com  bulbos um manual de homeopatia e sobre ele a carta de Theo, seu irmão e mecenas, informando do seu casamento e que provocou o famoso e grotesco incidente da orelha, que Van Gogh cortou fora.


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